A gravidez e o gato

Tudo o que precisa de saber sobre a toxoplasmose

São dois amores muito distintos mas que levantam dúvidas entre as mulheres grávidas: aquele que têm pelo filho, ainda por nascer, e o que nutrem pelo animal de estimação, com o qual convivem, numa base diária, há já tanto tempo.

Esta dúvida permeou os anos e instalou-se, pela crença, nem sempre sustentada, de que os animais domésticos podem transmitir, às futuras mamãs, doenças muito prejudiciais para o feto.

Nesta dimensão, o animal ao qual mais dedos são apontados é, sem dúvida o gato.

Reforçando a ideia, mesmo na atualidade, existem muitos médicos que recomendam que as grávidas se desfaçam dos seus companheiros felinos por uma questão de segurança.

No presente artigo, procuraremos esclarecer esta questão para que saiba distinguir a verdade e o mito, garantindo que não corre riscos desnecessários durante a gestação.

 

Toxoplasmose

Gravidez e o gato

1. Os gatos e a toxoplasmose

Provavelmente já terá ouvido falar desta doença e dos seus perigos, bem como da associação que é feita entre esta e os gatos.

O que é a toxoplasmose?

A toxoplasmose trata-se de uma doença infecciosa provocada pelo protozoário Toxoplasma Gondii, um parasita que, por norma, passa despercebido quando ataca pessoas saudáveis mas que se torna bastante perigoso quando o recetor sofre de uma doença imunitária ou está em fase de gestação.

Apesar de, na gravidez, principalmente durante os três primeiros meses, este parasita poder provocar danos gravíssimos no feto, como o aborto, a malformação ou problemas do foro mental, estarão apenas suscetíveis ao mesmo as mulheres que não tenham contactado previamente com o parasita.

Qualquer exposição anterior terá já criado, no organismo, as defesas necessárias para o tornar imune.

Gato

Toxoplasmose e o gato

A relação entre a doença e os gatos tem uma razão de ser! O gato é o único animal que, perante a contaminação com o toxoplasma, o elimina pela matéria fecal, contaminando, assim, o meio em seu redor e expondo outros animais – nomeadamente, o homem – ao parasita.

Apesar disto, a verdade é que apenas 1% dos gatos transmite a doença, sendo que, para que a transmissão seja feita, é necessária a reunião de um conjunto alargado de fatores. Em primeiro lugar, o gato precisará de ser contaminado.

Seguidamente, terá de estar na fase de excreção do protozoário. Por fim, sendo este um parasita que se transmite apenas pela ingestão, seria necessário o contacto da pessoa com as fezes do animal por via oral.

Claro! Não é impossível: bastará que os gatos, no seu habitual momento de limpeza, passem a língua no ânus e depois no pêlo e que, seguidamente, lhe dê uma festinha e leve despreocupadamente a mão à boca.

Ainda assim, é mais improvável que os seus gatos sejam responsáveis pela transmissão do parasita do que fatores externos.

2. E outro animal de estimação?

Contrariamente ao que dizem os mitos disseminados, os outros companheiros de estimação não transmitem esta doença – a menos que, seguindo a tradição dos países asiáticos – se alimente deles.

Tirando os gatos, que libertam os oocistos pelas fezes, os restantes animais, enquanto hospedeiros intermediários, são apenas contaminados pela alimentação.

Assim, nestes, tal como nos humanos, o parasita é levado até ao intestino, entrando na corrente sanguínea, e provocando cistos no organismo, nomeadamente nos músculos.

Desta forma, o risco prestado por qualquer outro animal de companhia será apenas o da ingestão da sua carne crua ou mal cozinhada.

Na verdade, o risco de uma mulher grávida contrair o toxoplasma é maior na ingestão de carnes (vaca, porco ou frango) mal cozinhadas do que na presença caseira do seu gatinho de estimação.

3. A gravidez e o gato: os cuidados a ter

Por uma questão de segurança, as futuras mamãs (particularmente as que não tenham ainda adquirido o toxoplasma e, desta forma, não lhe estejam imunes) devem adoptar alguns comportamentos para prevenir a doença e minimizar os riscos de contração da mesma.

Assim, a mulher grávida deverá ter os seguintes cuidados quando tem gatos em casa:

– Garantir que lavam sempre muito bem a fruta e os legumes que preparam, principalmente quando pretendem ingeri-los sem os cozinhar previamente;

– Manter a banca e os utensílios de cozinha limpos e desinfetados;

– Utilizar luvas de um material resistente, como por exemplo borracha, no momento de tratar o jardim, uma vez que existe a possibilidade de contacto com excrementos felinos no solo;

– Pedir a outra pessoa para limpar o caixote dos gatos ou, caso tenha de o fazer, usar luvas para o efeito e tentar não contactar diretamente com as fezes do animal. A troca da areia deve ser feita diariamente para reduzir o risco de infeção;

– Alimentar os gatos apenas com a ração, evitando principalmente dar-lhe carnes cruas;

– Lavar sempre as mãos após qualquer contacto com os seus gatos, evitando o contacto entre as mãos e a boca;

– Manter o animal dentro de casa, para reduzir as hipóteses de este vir apanhar o parasita.

Desta forma, apesar do medo revelado por alguns especialistas clínicos, é perfeitamente seguro ter junto a si o seu amigo felino!

Caso os seus gatos não saiam de casa, se alimentem de ração e não lhes seja fornecida carne crua, o risco de estes terem o protozoário é perto de nula.

Teve gatos junto a si durante a sua gravidez?

Qual foi a opinião do seu médico? Partilhe connosco a sua experiência durante a gravidez com gatos por perto!

ARTIGOS REMOMENDADOS

Comente este artigo