Gestante com IIC: tudo o que precisa de sabe

 A gestante com IIC tem uma maior probabilidade de vir a sofrer de um aborto espontâneo tardio. Sabe em que consiste a Insuficiência Istmo-Cervical? Conhece as suas causas e as formas de diagnóstico e tratamento?

Então, venha saber mais com o Bebé a Bordo

As gestantes têm sempre uma grande preocupação com a saúde, no sentido de garantir uma gravidez segura e o correto desenvolvimento do seu bebé. 

Apesar de todos os cuidados, no entanto, algumas doenças surgem intimamente relacionadas com o período gestacional, como é o caso da diabetes gestacional ou da anemia gestacional; e outras acompanham a gestante ao longo da gravidez, como condições pré-existentes, como por exemplo, o Lúpus

A Insuficiência Istmo-Cervical é outro dos problemas pré-existentes que se manifestam, usualmente, na gestação. Difícil de identificar, esta condição de saúde chega a ser descoberta apenas quando as consequências da mesma foram, já bastante graves. Frequentemente, o IIC é descoberto apenas após a mulher já ter sofrido abortos espontâneos. 

Hoje, olhamos para esta doença para percebermos melhor as suas caraterísticas, os seus perigos e as suas formas de diagnóstico e tratamento. 
Se quer saber mais sobre a gestante com IIC, este é o artigo certo para si. 

1. O que é a Insuficiência Istmo-Cervical?

A Insuficiência Istmo-Cervical (IIC) é conhecida também como: Incompetência Istmo-Cervical, Deficiência Istmo-Cervical, Insuficiência Cervical ou Insuficiência do Colo do Útero. 

Este problema refere-se à existência de um problema congénito ou traumático, não doloroso e muitas vezes difícil de detetar, no qual o colo uterino é mais curto ou mais fraco do que seria de esperar. Desta forma, perante uma gestação, o canal tende a dilatar naturalmente devido ao peso do bebé, sem que a mãe experimente contrações ou dor. (1


Este defeito do canal cervical faz com que o peso do bebé se torne insustentável para o mesmo, havendo uma dilatação na cérvix que faz com que o bebé nasça prematuramente (usualmente ainda no segundo trimestre e sem condições de sobrevivência), gerando frequentemente um aborto espontâneo tardio. O IIC é uma das principais causas de aborto espontâneo no segundo trimestre de gestação. (2


Em alguns casos, o bebé acaba por nascer prematuramente mas já no terceiro trimestre. Embora esta situação apresente melhores probabilidades de sobrevivência, o risco de que a criança sofra de problemas de saúde severos é ainda elevado. 

É comum aparecer uma gestante com IIC?

Embora esta condição não seja muito comum, estimando-se que afete cerca de 1% da população feminina a nível internacional; as estatísticas apontam para que cerca de 23% das mulheres que já sofreram de uma situação de aborto espontâneo recorrente sofram com este problema de saúde. (3

Quais as causas de Insuficiência Istmo-Cervical?

A gestante com IIC poderá ter este problema por causas de ordem congénita ou traumática. 


Quando se trata de uma gestante com IIC congénita, esta tem o problema desde nascença, resultando o mesmo de uma alteração do colágeno ou da exposição a uma hormona sintética chamada dietilstilbestrol, usualmente usada para o tratamento de doenças cancerígenas. 

Já a gestante com uma IIC traumática poderá ter o problema derivado de uma laceração cervical no pós-parto ou derivada de um aborto ou como resultado de uma intervenção cirúrgica que tenha encurtado o colo uterino. 

2. Como é feito o diagnóstico da gestante com IIC?

Um dos maiores problemas da gestante com IIC é a dificuldade de identificação do problema, principalmente quando a mulher grávida não tem antecedentes clínicos do problema nem sintomas do mesmo. 

Usualmente, exames como o ultra-som permitem que se criem suspeitas relativas ao problema mas é necessário que se realize igualmente a medição do colo uterino para confirmar o diagnóstico. Os especialistas consideram que o colo é curto quando a medição do mesmo é inferior a 2,5 centímetros. 

Estes exames costumam ser realizados quando a mulher sofre abortos recorrentes ou já sofreu um aborto espontâneo tardio. 
A literatura sobre esta doença apresenta vários métodos para a confirmação do diagnóstico mas mantêm-se, até hoje, pouco consensual sobre qual o melhor método para garantir que o problema é identificado na primeira gestação. 

Embora a grande maioria dos casos só seja identificado quando a gestante já manifestou problemas numa gestação prévia, estudos têm vindo a demonstrar que uma avaliação de obstetrícia mais intensa nas gestantes com o problema, quando realizada no primeiro trimestre da gestação ou entre gestações pode ajudar a melhorar o quadro, evitando novos abortos e partos prematuros. (4

3. A gestante com IIC precisa de repouso completo?

Perante a ideia de uma gravidez de risco é natural que o primeiro pensamento seja o de uma gestante em repouso absoluto. 

No caso da gestante com IIC, existem casos nos quais, efetivamente, os especialistas consideram esta recomendação. Ainda assim, tal nem sempre acontece, estando esta recomendação dependente, em parte, da resposta uterina de cada gestante ao método usualmente utilizado para acautelar eventuais abortos e partos prematuros: a circlagem ou cerclagem. 


O repouso completo é usualmente recomendado quando a gestante já teve abortos espontâneos tardios mesmo recorrendo a circlagem ou quando existiram dificuldades no processo de circlagem, devido ao estado do colo do útero. 

Independentemente de se tratar de um repouso completo ou não, depois da realização deste tipo de procedimento, a gestante terá sempre de evitar a realização de esforços intensos, sendo-lhe também recomendada a ausência de contacto sexual durante o resto do período gestacional. (5

O que é a circlagem feita à gestante com IIC?

A circlagem trata-se da realização de uma sutura no colo do útero que impede que este se dilate precocemente, permitindo um aborto espontâneo tardio ou o nascimento prematuro do bebé. 

A circlagem é usualmente realizada durante a gestação, entre a 12ª semana de gestação e a 20ª semana gestacional, havendo no entanto casos nos quais, mediante o diagnóstico precoce da doença, este pode ser realizado antes da gravidez. Esta última opção é preferencial nos casos em que interveções cirúrgicas tenham resultado numa lesão traumática do colo do útero. 

Para a realização da circlagem o colo do útero não deve apresentar qualquer sinal de infeção e não deverá estar dilatado. É frequentemente usada a circlagem dupla em gestantes com IIC, para impedir que o peso da gravidez seja responsável por rasgar o colo, forçando a dilatação. 

Embora este seja o método mais utilizado, muitos especialistas defendem que mais estudos são necessários para que se comprove o benefício efetivo da circlagem cervical na gestação, já que, associado ao mesmo, existe o risco de rutura das membranas amnióticas e/ou de contração de infeções intra-uterinas. (6

Conhece alguma gestante com IIC? Qual foi o tratamento realizado para garantir a segurança da gestação? Conte a sua experiência pessoal às restantes mamãs do Bebé a Bordo. 

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