Relações sexuais após o parto

Desmistificando o tabu, relações sexuais após o parto

Encaremos os factos: sexo é tabu! Não é socialmente aceite que sobre ele se fale com leveza, ainda que, na realidade, seja algo de profundamente quotidiano e natural.

Esta visão limitada da sexualidade torna-se ainda mais estigmatizada quando o tema é a sexualidade pós-parto.

Sendo que a comunicação é a base estrutural de qualquer relacionamento, é muito importante que este tabu não permeie as paredes da casa e que exista um diálogo aberto entre o casal, para garantir que se dá a partilha das preocupações, dos desejos, dos medos e das vontades.

A compreensão depende desta partilha de emoções.

No que diz respeito ao curso da primeira relação sexual depois do parto são muitas as questões que se levantam.

Existe, claro, uma indicação clínica sobre o tempo médio que um casal deve esperar antes de se envolver sexualmente.

Mas, mais importante do que este, será o tempo psicológico e físico de cada casal… e este não está especificado: varia de pessoa para pessoa.

Neste artigo procuraremos explorar abertamente as questões relacionadas com a sexualidade pós-parto, desmistificando o tabu.

Relações sexuais após o parto

1. Pais: dois seres sexuais nas relações sexuais após o parto

Falar de relações sexuais após o parto não devia constituir um problema! Mamãs e papás são seres sexuais, envoltos num relacionamento que vive e respira.

É natural que exista desejo e que se procure o prazer. Ter um filho não altera (ou não deveria alterar) a dinâmica do casal.

Claro, depois do parto e antes de se aventurarem na redescoberta dos corpos um do outro, o casal precisará de falar com um especialista.

Por norma, no caso de ter sido um parto sem complicações, o tempo de espera recomendado será de um mês e meio (6 semanas), tempo que as incisões da cesariana ou do parto normal levarão a cicatrizar, garantindo que não ocorra sangramento ou infeções.

Este tempo trata-se, maioritariamente, de um espaço temporal de segurança, uma vez que, a partir da segunda semana, as infeções são já improváveis.

Ainda assim, será no acompanhamento da recente mamã, efetuado na sexta semana, que terá a garantia de que tudo se encontra bem e de que pode, portanto, avançar com a sua vida sexual.

A permissão médica para que possa avançar para a primeira relação sexual depois do parto, no entanto, não será o único fator a considerar.

É muito importante que o casal comunique e que sejam discutidos os medos e anseios dos dois.

É frequente que tanto a mamã como o papá tenham, nos primeiros tempos, algumas reticências no que respeita ao envolvimento sexual.

2. Comunicação e confiança: os termos chave

As mulheres, quando acabam de ser mães, sentem frequentemente um cansaço físico e psicológico constante, temendo ainda o medo da dor ou a incapacidade de se verem como seres sexuais, capazes de dar prazer ao seu parceiro.

Por outro lado, os homens sentem o medo de ferir a companheira, aliado, por vezes, a um olhar que foca a mulher mais como mãe do que como parceira das aventuras sexuais.

É ainda natural que a preocupação de ambos esteja fixada no bebé e que, por isso mesmo, a vida dos dois, enquanto casal, seja deixada para segundo plano.

Contornar esta tendência será fundamental para garantir uma vida sexual saudável e garantir que não se dá um afastamento.

Nunca antes foi tão importante estimular e fortalecer os laços entre os dois.

3. Mudanças e dicas nas relações sexuais após o parto

Durante as primeiras relações sexuais depois do parto é natural que o casal note algumas alterações físicas, nomeadamente no que respeita à estrutura vaginal e à lubrificação.

Até aos seis meses do bebé, é comum que a mãe sinta a necessidade de utilizar lubrificantes durante o ato sexual.

Já o relaxamento dos músculos vaginais será, igualmente, uma realidade, que pode ser corrigida através da realização dos chamados exercícios de Kegel, com movimentos de contração e relaxamento muscular.

Isto irá fortalecer esta região e fazer com que ela retome o estado prévio.

Será necessária uma dose extra de paciência no que respeita à capacidade de algumas mulheres atingirem o clímax durante este período, sendo comum que o orgasmo se torne mais difícil durante alguns meses.

Caso o casal sinta os anseios dominar os seus momentos a dois, uma sugestão será avançar devagar, como se estivessem, progressivamente, a tomar novamente conhecimento do corpo um do outro.

Carícias e partilhas sem penetração poderão ser uma boa forma de criar uma nova confiança sexual no casal.

As questões relacionadas com a sexualidade e gravidez são várias mas, com a dose certa de paciência e de confiança, é certo que elas terão uma resposta positiva e que não prejudicará a sua relação.

Sentiu algum medo ou dificuldade no seu relacionamento íntimo com o seu(sua) parceiro(a) depois do parto? Partilhe a sua experiência connosco. Ela será valiosa para as outras mamãs e papás.

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