Celulite gestacional

Celulite gestacional, pele como uma laranja

A minha mãe costumava dizer, num tom meio sério, meio de brincadeira: “existem dois tipos de mulheres: as que têm celulite e as que dizem que não têm”.

Esta expressão sempre me fez algum sentido já que, mesmo sendo magrinha, sempre encontrei celulite nos pontos-chave que tanto nos preocupam.

Claro que, se no nosso normal, a celulite chega, inimiga comum do núcleo feminino, na gestação, a tendência é para que esta se agrave (nas mulheres que já têm) ou surja (nas que dizem que não têm).

As mudanças físicas e emocionais da gestação não são estranhas às futuras mamãs que, diariamente, lidam com o aumento de volume, com o inchaço e com o aparecimento de estrias e de celulite.

Estas alterações tendem a preocupar as futuras mamãs que, ao mesmo tempo que vivem a melhor época das suas vidas, querem sentir-se confortáveis na sua pele e com o seu aspeto.

Assim, decidimos olhar, hoje, para a celulite gestacional, para ajudarmos estas guerreiras do quotidiano a conhecerem melhor o inimigo que enfrentam, para que possam prevenir e/ou minimizar o aparecimento do mal que se apelida por “pele casca de laranja”.

Acompanhe-nos para saber tudo sobre a celulite gestacional.

1. O que é a celulite?

Para entendermos bem o que é a celulite gestacional torna-se fundamental conhecer, primeiro, o que é a celulite.

Debaixo da camada de pele, existe uma camada formada por tecido gorduroso. A celulite é o nome “popular” que se dá à alteração nesse tecido subcutâneo.

O que acontece, num breve resumo, é o seguinte: o tecido que rodeia as células de gordura sob a pele sofrem alterações que, por sua vez, fazem alterar a microcirculação e fazem com que os capilares e vasos das regiões afetadas sejam menos irrigados, aumentando o tecido fibroso.

Este aumento é responsável por um tecido adiposo mais saliente, que provoca o conhecido efeito de pele de laranja, com ondulações na superfície da pele.

Embora se conheça coloquialmente como celulite, o nome desta condição é Lipodistrofia Ginoide ou Hidrolipodistrofia.

2. Da celulite à celulite gestacional

A situação acima descrita tende, por norma, a piorar durante a gestação. As razões pelas quais esta situação se agrava são várias.

Durante a gestação, as alterações hormonais sofridas pela mulher levam a um aumento da quantidade de estrogénio no seu corpo.

Esta hormona tem diversas funções no organismo sendo que, entre elas, se encontra a distribuição das células de lipídicas no corpo.

Além disto, a retenção de líquidos sofrida na gestação pode fazer, também, com que surja este problema principalmente nas zonas que têm maior propensão para o surgimento de nódulos lipídicos, como é o caso das coxas, das nádegas e da região abdominal.

Juntando-se aos fatores anteriores, está também o frequente sedentarismo da gestante. Não é incomum que a mulher grávida reduza ou pare de se exercitar.

Esta situação promove variadas circunstâncias propícias ao aparecimento da celulite gestacional, entre as quais se destacam a promoção do aparecimento de massa gorda no corpo; a retenção de líquidos e a desaceleração do organismo, levando estes, frequentemente, a um aumento de peso excessivo.

Por fim, torna-se necessário referir os erros alimentares na gestação, por um lado promovidos pela influência hormonal apetite e, por outro, pela ideia ancestral e errada de que é necessário “comer por dois”.

Uma alimentação desregrada e excessiva (em vez da recomendada alimentação nutritiva e saudável) promove, também, o aumento de peso e o aparecimento da celulite gestacional.

3. Minimizar a celulite gestacional

Não prometemos resultados imediatos nem cem por cento eficazes mas, mesmo na gestação, conseguirá minimizar os efeitos da celulite se decidir cumprir algumas regras de ouro.

Estas partem das noções mais básicas e comuns: hidrate-se, alimente-se de forma regrada, nutritiva e saudável; evite comidas gordas, processadas ou ricas em açúcar e faça exercício físico adaptado à sua condição.

O exercício físico na gestação – seja uma caminhada diária, aulas de yoga ou de hidroginástica ou outra que tenha sido aprovada pelo seu médico – farão mais por si e pela sua forma física do que qualquer creme.

Além disto, uma alimentação saudável, que a sacie e a nutra mas sem se envolver em excessos que a façam aumentar o peso em demasia será, também, uma excelente forma de lutar contra a celulite.

No que respeita à hidratação: consuma água!

Evite refrigerantes ou bebidas processadas e açucaradas e tente manter o corpo constantemente hidratado.

Lembre-se de que a água é fundamental para limpar o corpo de toxinas e ajuda, também, a eliminar as gorduras em excesso.

Além destes conselhos, e se a celulite a estiver a incomodar, poderá também tentar manter as pernas elevadas nas horas de repouso, usar meias de compressão média ou baixa e evitar o uso de sapatos de salto alto.

Beber água na gravidez

4. Tratamentos: cuidados a ter

Os tratamentos de celulite à base de infravermelhos ou radiofrequência, bem como alternativas mais invasivas e mesmo alguns produtos do mercado são nocivos durante a gestação.

Outros tratamentos, como alguns cremes, drenagem linfática manual ou massagens localizadas nas regiões afetadas poderão ser permitidos, em alguns casos.

Ainda assim, no caso de desejar fazer algum tipo de tratamento mais intensivo à celulite, não deixe de consultar um especialista sobre o assunto para garantir a sua segurança e do bebé.

Embora seja um efeito indesejado da gestação, a verdade é que a celulite gestacional não virá para ficar.

Ainda que estes métodos não surtam efeitos visíveis durante o tempo da gravidez, se seguir estes passos e mantiver uma rotina saudável verá que, alguns meses depois do nascimento do seu bebé, a celulite acabará por diminuir.

Teve celulite durante a gravidez? Usou algum método para a sua prevenção e/ou tratamento? Conte-nos como viveu esta experiência.

Comente este artigo