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As “outras” mamãs

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Mãe e criança a brincar com pinturas

Um olhar materno sobre a adoção

Muitas mamãs dizem isto e talvez, de alguma forma, se identifique: nasci para ser mãe! É uma sensação comum, embora nem todas as mulheres sintam este apelo maternal.

Esse desejo intenso de ter nos braços um filho, de o amar, de o criar, de fazer dele espelho do mundo e esperança no mundo. Ver algo nosso nascer, crescer e ser.

Sim! É uma espécie de condão mágico. Gerar um ser. Tê-lo em nós. Senti-lo crescer. Sentir o seu primeiríssimo movimento dentro de nós. E sentir que, do útero, alastram as raízes que nos prendem àquela pessoa – que nem nasceu ainda – até ao sopro da nossa última respiração.

Ser mãe também é isto. Mas não só. Ser mãe é muito mais do que gerar. É muito mais do que dar à luz. É muito mais do que levar, durante 40 semanas, a gestação do seu começo ao seu termo. Ser mãe é uma forma – talvez a mais pura das formas – de amar.

Neste artigo, por isso mesmo, vamos falar das “outras” mamãs. As peculiares mães do mundo que não geram um filho mas, em vez disso, são geradas por ele. As peculiares mulheres que se tornam mães sem nunca terem carregado no ventre a pessoa que as completa.

Diz uma idiomática expressão portuguesa que, no que respeita aos filhos, “tê-los é dor, criá-los é amor”. Acreditamos nesta sabedoria sem tempo. E é seguindo o seu ensinamento que faremos, pois, uma visita ao mundo das mulheres que decidem adotar uma criança e assim se tornam mamãs.

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1. Das razões à decisão

Para algumas mulheres, tornar-se mãe é muito simples. A gravidez ocorre com naturalidade – planeada ou não. A gestação desenvolve-se – com mais ou menos percalços. O parto acontece – de forma natural ou por cesariana. O bebé nasce. A maternidade avança. A vida muda.

Para algumas mulheres, o privilégio vem como biologicamente se espera. E é tudo simples, dentro da complexidade desse mundo maternal. Mas nem sempre é assim. Existem, no mundo, muitas mulheres cujo sonho de ser mãe não se cumpre com facilidade.

Seja por questões relacionadas com a infertilidade, a orientação sexual ou simplesmente a ausência de um companheiro de vida, existem mulheres que sentem que o chamado maternal não se traduz numa concretização simples.

No que diz respeito à infertilidade, seja esta da mulher, do homem ou comum ao casal, a sensação de falta de controlo é ainda maior. Exames médicos, tratamentos hormonais, fertilização in-vitro. É um processo moroso e desgastante que, infelizmente, nem sempre tem os resultados pretendidos.

Algumas mulheres, por infortúnio do destino, nunca chegam a ficar grávidas. E ouve-se, por isso, dizer que há mulheres que não podem ser mães. Mas é mentira. Todas as mulheres podem ser mães. E algumas são-o sem engravidar ou, como elas mesmas dizem, ficam grávidas… mas do coração.

2. O nascer de uma mãe

Adotar uma criança é algo muito particular. Trata-se de um processo legal demorado e complicado que, passo a passo, como uma gestação, vai preparando a mulher para receber o seu bebé.

Contrariamente à maternidade biológica, um filho adotivo será sempre planeado e desejado. Frequentemente, será o maior sonho de uma família, a peça chave que falta e pela qual se anseia profundamente.

Da mesma forma que as mães biológicas relembram o teste positivo, as mães adotivas lembrarão o primeiro papel legal de confirmação.

Tal como as primeiras relembram a primeira ecografia, estas mamãs adotivas recordarão a primeira foto. E o primeiro movimento do bebé, que umas sentem no ventre, elas sentirão ao pegar o filho nos braços pela primeira vez.

A mãe de adoção vive a maternidade de uma forma profunda e, contrariamente ao que muitas vezes se diz, não existe menor ligação nem menor envolvimento. Ser mãe ultrapassa as barreiras do ADN.

Graça M., mãe adotiva do Gonçalo, diz isso mesmo: “ele não tem os meus olhos nem os do meu marido, mas tem o nosso coração”.

Todas as formas de maternidade são belíssimas. Mas adotar uma criança tem realmente esta peculiaridade: enquanto uma mãe biológica faz nascer um bebé, num processo de adoção é o bebé que faz nascer uma mãe.

3. Desafios da diferença

Embora a nível emotivo mãe seja mãe, independentemente da forma como chegou a esse papel, existem desafios diferentes para estas guerreiras da adoção.

Além de o mundo não estar ainda totalmente preparado para as ver como quaisquer outras mamãs, a vida que levam, na criação dos filhos, é permeada por alguns obstáculos além dos que assomam as histórias das mães biológicas.

Ao adotar uma criança, a mãe propõe-se criar um ser que passara a ser seu. Isto é muito diferente de o criar “como se fosse” seu.

Irá levantar-se nos choros, trocar fraldas, dar de mamar, ajudar nos primeiros passos, rir nas primeiras palavras, sentir o coração apertado no primeiro dia de escola. E, sentindo tudo isto como se nada fosse diferente de qualquer outra mamã, ela terá de se preparar para viver desafios que são apenas seus.

A forma como contará à criança sobre a sua origem. O momento certo para o fazer. O medo de eventuais complicações médicas para as quais o seu sangue será, por certo, incompatível. Estes serão alguns medos que as mamãs “tradicionais” não têm.

A estes, soma-se uma certa maldade infantil… que hoje chamamos de bullying. A mamã saberá que, sabendo a sua origem, a criança ficará vulnerável a comentários e atitudes que podem prejudicar a harmonia quotidiana do filho.

É uma luta que fazem todos os dias, passo a passo, na consciência de que apenas o amor cura tudo.

Hoje, olhamos para estas mamãs. Elas são guerreiras do dia-a-dia, que provam bem que os nossos antepassados tinham razão ao dizer “tê-los é dor, criá-los é amor”.

Ser mãe não é (apenas) dar à luz. Ser mãe é mais do que qualquer palavra diz. E vai do primeiro abrir dos olhos de um filho até ao último fechar de olhos da mãe. Não tem medida nem medo. Apenas amor.

É mãe adotiva? Conhece alguém que tenha adotado uma criança? Quais são os principais desafios que vê nesta forma de maternidade? Não deixe de partilhar connosco a sua história de amor.

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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