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Sinto-te além de mim, reflexão sobre a intuição materna

Reflexão sobre a intuição materna

Sinto-te além de mim
Reflexão sobre a intuição materna

Vamos falar de uma coisa que “não existe”. Ou que as mentes mais científicas dizem que não existe. Porque carece de uma explicação ancorada na ciência e não têm sustento lógico. Vamos olhar para o mundo da intuição materna.

Quando eu era mais nova – na infância e na adolescência – aconteceu por várias vezes uma situação que não se explica. Ocasionalmente, por doença ou nervosismo, durante a noite acordava com a sensação clara de indisposição, de náusea.

Reflexão sobre a intuição materna

Falo de acordar às duas, três ou quatro da manhã. Doente. Quando no dia antes tinha estado perfeitamente bem e sem que houvesse qualquer indício de que pudesse acontecer. Às vezes levantava-me, pé ante pé, para ir à casa-de-banho. Outras vezes, com medo de acordar alguém, ficava no quarto e nem acendia as luzes.

Mas, de uma forma ou outra, a minha mãe aparecia à porta. Ela tem o sono pesado mas a alma de mãe. E ela sabia que eu precisava dela. Não… ela não ouvia, nem via… ela sabia.

Mesmo em adulta, ela nunca deixou esta forma de saber. Com duzentos quilómetros de distância entre nós e chamadas que, embora frequentes, não são diárias, ela parece adivinhar sempre quando acontece alguma coisa.

E é sempre nesse momento que o telemóvel ganha luz e recebo a chamada certeira e o apoio necessário.

Além disto, embora – como é óbvio – não me lembre, ouvi muitas vezes a história de como ela sabia o sexo de cada um dos filhos antes da confirmação médica.

E era tão certo esse “conhecimento” que se conta a história dos sonhos que teve, nos quais era claro se o filho por nascer era menino ou menina. Somos três… e, de alguma forma, das três vezes ela soube.

Se fossem outros tempos, outras eras, talvez se dissesse da minha mãe que ela tinha um qualquer poder mágico. E eu não duvidaria dele, tão certeira foi sempre a intuição e a assertividade dos seus conselhos.

Mas hoje, olhando para a realidade das muitas mamãs que me rodeiam, eu percebo que é algo mais do que uma capacidade da minha mãe.

Ser mamã é, pois, amar e cuidar. É sentir. É saber. E, de uma maneira que vai muito além de compostos químicos e matéria física é, também, intuir.

A intuição materna começa nas coisas mais simples. Uma mãe de primeira viagem sabe embalar e aconchegar o filho, ainda que ninguém lho tenha ensinado. E, se ele chora, sabe que o leve silvar da sua voz irá acalmá-lo.

Algumas destas necessidades dos bebés foram já explicadas pela ciência… mas estas mamãs, que naturalmente o fazem, não sabiam as razões da necessidade. Aprenderam a fazê-lo porque, de alguma forma, o seu coração materno o sabia.

A intuição das mamãs é uma espécie de pensamento que não se processa de forma consciente, como se o coração aprendesse, a cada dia passado, a sentir outra vida como se da sua se tratasse.

Embora seja tranquilizante a ideia de que as explicações estão no centro de tudo e de que as resoluções passam por formas conscientes e sempre acessíveis, a verdade é que ser mãe vai muito além do explanável e se transfigura em aspetos ilógicos que apenas ganham força pela experiência materna, tão diferente para cada mulher, mas tão semelhante nesta intuição que garante o apoio e o bem estar dos nossos filhos.

Talvez a ciência explique, um dia, este fenómeno. A psicologia já tentou e existem teorias diversas, mas sempre redutoras perante a capacidade “adivinhadora” das mamãs. O facto é que, mais importante do que a explicação, é a vivência. E essa acontece com naturalidade, a cada dia que passa.

Não sei porquê é que a minha mãe ia até à minha porta sem que eu a chamasse. Mas ela estava lá. Ela sabia. E todos os dias eu sei que esse saber era uma forma incontestável daquele tipo de amor que apenas uma mãe pode dar.

Como se reflete, em si, a intuição materna? Conte-nos também a sua história!

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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