Incompatibilidade sanguínea, quais os cuidados que um casal deve ter

 A incompatibilidade sanguínea é um problema que muitas pessoas desconhecem. Esta situação pode ser perigosa para a gestação e é importante que seja descoberta atempadamente. Sabe o que é a incompatibilidade sanguínea?

Então, venha saber mais sobre esta questão com o Bebé a Bordo e descubra quais os cuidados que o casal deve ter.

Quando uma mulher engravida, é natural que mil e uma questões surjam na sua mente. Ainda assim, provavelmente, as questões relacionadas com a incompatibilidade entre o seu sangue e o sangue do seu parceiro poderão não ser uma delas.

Sem que se aperceba, no entanto, ser-lhe-ão pedidos exames que testam justamente esta situação.

Ao fazer os exames de acompanhamento na gestação é provável que note que lhe são pedidos testes de grupagem sanguínea que visam, justamente, perceber o seu tipo de sangue e despistar a possibilidade de eventuais incompatibilidades que possam pôr em causa o normal curso da gravidez.

Este problema poderá ser uma potencial causa de uma gravidez de risco e, por isso mesmo, é de extrema importância que realize todos os exames quando o médico assim o solicitar.

Hoje, iremos lançar o olhar sobre as questões relacionadas com a incompatibilidade sanguínea, olhando para o trio pai-mãe-bebé e tentando compreender o que é esta incompatibilidade, quais os seus tipos, que riscos acarreta e também o que pode ser feito para evitar problemas causados por esta situação.

Se quer saber mais sobre a incompatibilidade sanguínea e os cuidados que um casal deve ter, não deixe de ler o artigo que se segue.

Incompatibilidade sanguínea, quais os cuidados que um casal deve ter

1. Gravidez e testes de grupagem sanguínea

Um dos exames pedido logo no começo da gestação é um exame analítico de grupagem sanguínea.

Este exame visa identificar dois aspetos do sangue da gestante: o grupo sanguíneo – ABO – e o RH – que poderá ser positivo ou negativo. Estes exames procuram ainda anticorpos anti-eritrocitários irregulares. Esta análise provém de uma amostra de sangue da mulher grávida, recolhida numa só colheita, usualmente no começo da gestação.

Idealmente, este exame deveria ser feito na fase pré-natal, destinando-se a minorar os riscos de uma gravidez na qual existe incompatibilidade sanguínea.

Enquanto que o exame ao grupo sanguíneo ABO determinará qual dos tipos de sangue tem a gestante – A, B, AB ou O; o exame de RH visará, fundamentalmente, descobrir se existe a presença do antigénio D no sangue da gestante.

Quando a mãe e RH negativo e o pai é RH positivo, isto indica que poderão existir complicações na gestação. Para as evitar, os médicos terão um acompanhamento de proximidade com a gestante, aplicando um tratamento à base de imunoglobulina anti-D durante o tempo da gestação e no período pós-parto. (1)

Que tipos de incompatibilidade sanguínea existem?

A incompatibilidade de sangue pode ser de três tipos, ancorando-se n RH mas também no ABO.

O primeiro tipo de incompatibilidade acontece, como vimos, quando a mulher é RH negativa e o pai é RH positivo. Neste caso, caso o feto receba a caraterística paterna e seja, também RH positiva, o corpo da gestante pode reagir de forma negativa à gestação, rejeitando-a.

Nesta situação, o organismo da gestante fará, de forma natural, a produção de anticorpos que atacarão o feto. Esta situação só ocorre quando existe contacto entre o sangue da gestante e do feto, sendo inusual (cerca de 3% dos casos, apenas) que tal aconteça no primeiro trimestre de gestação.

Os riscos, no entanto, aumentam com a progressão gestacional e, na altura do parto, rondam os 70%. (2)

No que diz respeito à grupagem ABO também existem riscos, ainda que menores, de incompatibilidade. Uma percentagem de 10% a 15% dos pais apresentam um tipo de incompatibilidade conhecido como isoimunização, que decorre quando o pai tem o tipo sanguíneo A, B ou AB e a mãe tem sangue tipo O.

Este tipo de incompatibilidade manifesta-se em problemas como leves anemias ou icterícia. (3)

Por fim, é ainda possível que o sangue da mãe e o material genético do seu companheiro não sejam, também, compatíveis. Esta situação, embora já tenha sido identificada, carece ainda de explicações científicas.

2. Quais os riscos da incompatibilidade sanguínea?

Tal como referimos, nas incompatibilidades geradas pelo ABO – quando o homem tem o tipo sanguíneo A, B ou AB e a mulher tem sangue tipo O – não são muito severos, tendo manifestações leves, como a icterícia ou a anemia.

Ainda assim, no que diz respeito à incompatibilidade RH os problemas resultantes podem ser graves, pondo em causa a gestação.

Se a mãe for RH negativa e o pai, sendo RH positivo, passar esta caraterística à criança; o corpo da mulher terá a natural reação de rejeição do feto, sendo este incompatível com o próprio organismo da gestante.

Os anticorpos criados pelo corpo feminino, neste caso de incompatibilidade sanguínea, irão fazer com que o organismo da mulher produza anticorpos que atravessam a placenta com a finalidade de atacar e destruir as hemácias do feto.

Ao atacar os glóbulos vermelhos do bebé em desenvolvimento, podem ser geradas situações como o aborto, a morte no útero ou, depois do nascimento, a doenças hemolíticas que se manifestam sob a forma de anemia severa, icterícia grave ou insuficiência cardíaca. (4)

3. Quais os cuidados que um casal deve ter para evitar problemas causados pela incompatibilidade sanguínea?

Os exames de sangue são muito importantes para garantir que a gestação decorre como esperado e que o bebé recém-nascido não terá os referidos problemas de saúde.

O exame de grupagem sanguínea deve ser feito no primeiro trimestre da gestação, para que uma mulher RH negativa possa ser tratada com a imunoglobulina anti-D, evitando que o seu organismo desenvolva os anticorpos de que acima falámos.

Quando esta situação acontece numa primeira gestação, é possível a toma de uma vacina para proteger o segundo filho, numa segunda gravidez.

Esta vacina serve, também, para inibir a produção dos referidos anticorpos.

A atenção com os exames atempados – e até antes da gravidez, quando esta é planeada – é um dos cuidados que um casal pode ter para evitar problemas causados por incompatibilidade sanguínea.

O tratamento correto tem vindo a reduzir os índices de mortalidade fetal e neonatal por incompatibilidade sanguínea, que passaram já de 90% para 30%.

Já tinha ouvido falar dos problemas da incompatibilidade sanguínea na gestação? Conte aos restantes leitores do Bebé a Bordo qual é a sua opinião sobre esta matéria.

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