Talassémia e gravidez: desafios e cuidados essenciais

A talassémia na gravidez pode ser perigosa caso não exista um acompanhamento especializado e contínuo. Já conhece esta doença? Sabe quais os perigos da talassémia na gravidez?

Venha descobrir com o Bebé a Bordo.

Existem muitas caraterísticas que nos acompanham ao longo da vida e, de muitas delas, não temos sequer consciência.

Muitas vezes latentes ou simplesmente inexploradas, estas questões parecem impactar pouco nas nossas vidas, até ao momento de uma gravidez.

Exemplos disto são, por exemplo, os tipos sanguíneos ABO e RH (que só se questionam no momento em que possa existir uma incompatibilidade sanguínea com o nosso parceiro); ou a imunidade à toxoplasmose (que poderemos ter, por termos tido esta infeção sem que dela nos tenhamos apercebido).

Convivemos, diariamente, com partes de nós que desconhecemos. Ainda assim, quando o teste de gravidez dá positivo, a história muda e, subitamente, saber se a gestação é segura implica conhecer, também, estas partes que, até então, nos pareciam pouco significativas.

A talassémia, nas suas formas menos graves, pode ser uma dessas companheiras silenciosas, de parca manifestação mas que pode gerar complicações na gestação.

Já ouviu falar dos riscos da talassémia na gravidez? Sabe de que se trata esta doença? Então, venha saber mais sobre esta temática com o Bebé a Bordo.

Talassémia e gravidez

1. O que é a talassémia?

A talassémia pode ser descrita como uma desordem sanguínea, de origem hereditária, que é provocada por uma falha genética. Esta pode causar anemia e deve-se, fundamentalmente, a uma malformação da hemoglobina. (1)

Usualmente, as hemácias presentes no sangue são formadas por proteínas, organizadas em duas cadeias de alfa-globinas e duas cadeias de beta-gobinas.

Uma pessoa com talassémia sofre uma mutação no cromossoma 11, 16 ou em ambos; o que se manifesta através da falta de cadeias de alfa-globina ou de beta-globina, promovendo uma desproporcionalidade.

Este tipo de mutação é mais visível em mulheres, sendo que os homens podem também ser portadores da mesma. As mutações são genéticas e passam de pais para filhos, podendo causar problemas diversos, sendo o mais comum, a anemia.

As manifestações de talassémia podem ser distintas dependendo do cromossoma com mutação, sendo que a sua forma mais comum – e também mais ténue – é a talassémia Minor.

A talassémia pode ainda ser Intermédia ou Major, sendo que nesta última situação é comum que o portador necessite de fazer transfusões sanguíneas. 

Quais as principais manifestações da talassémia?

Na sua forma mais comum, a talassémia e assintomática. Ainda assim, em casos mais severos, existem algumas manifestações que podem ser consideradas: (2)

– Anemia;
– Palidez;
– Cansaço, fadiga e desânimo;
– Fraqueza e falta de ar;
– Dificuldade em ganhar peso;
– Problemas de crescimento;
– Aumento no volume abdominal;
– Icterícia;
– Deformações ósseas faciais;
– Coloração escura da urina.

2. Talassémia na gravidez

Uma mulher com talassémia pode engravidar e isto não implica obrigatoriamente que o seu bebé venha a ter esta complicação ou que a gestação venha a ser conturbada.

Ainda assim, a talassémia na gravidez deveria, segundo os especialistas, ser considerada um fator de risco, tanto para a gestante como para o bebé. 

Por esta razão, a gestante com talassémia deve ser acompanhada por especialistas – em especial pelo seu obstetra e por um hematologista – para garantir a segurança de todos os envolvidos no processo gestacional. (3)

Acompanhando a gestante, estes especialistas de saúde terão de avaliar regularmente a anemia e a função cardíaca da futura mamã, indicando ainda qual o melhor tipo de parto.

Se tanto a mãe como o pai forem portadores de talassémia, o bebé terá 75% de hipóteses de ser portador da doença; 50% de hipóteses de manifestar sintomas para a mesma e 25% de hipóteses de desenvolver o quadro mais grave de talassémia, a talassémia major. (4)

Existem várias complicações associadas a esta doença, incluindo a sobrecarga de ferro (principalmente quando existe a necessidade de transfusões sanguíneas), de infeções, de deformações nos ossos (principalmente no crânio e na face); 3 de aumento do baço (podendo ser necessária a sua remoção).

Em crianças, problemas de déficit de crescimento são também comuns, bem como deformações cranianas e problemas alimentares. Associa-se ainda à talassémia a propensão para problemas cardíacos.(5)

3. Como é feito o diagnóstico e o tratamento da talassémia no bebé?

Antes mesmo de o bebé nascer, poderá ser possível saber se este tem talassémia, recorrendo a uma amostra vilo corial (remoção de uma parte da placenta para análise) ou da amniocentese (colheita de uma amostra do líquido amniótico). Estes exames são feitos, respetivamente na semana 11 e na semana 16 de gravidez.

Se não for realizado este exame, o recém-nascido poderá ser diagnosticado no teste do pezinho. (6)

Esta doença ainda não conta com uma cura específica, embora se recomende uma avaliação médica mais regular a quem sofre da mesma, para a avaliação da necessidade de tratamento.

Usualmente, os casos Minor não necessitam de tratamento e, na talassémia Intermédia a solução passa pelo maior consumo de ácido fólico ou por transfusões de sangue.

Já os casos mais severos poderão precisar, também, das formas referidas para a talassémia Intermédia, podendo ainda ser necessária a realização de medicação a par com quimioterapia, a remoção do baço ou o transplante de medula óssea. (7)

Já tinha ouvido falar da talassémia na gravidez e dos seus riscos? Sabe se é portador desta doença? Partilhe a sua história com os restantes leitores do Bebé a Bordo.

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