Criança pode ser vegetariana, tem riscos para a saúde?

Criança pode ser vegetariana, tem riscos para a saúde

A dieta vegetariana é controversa em todas as idades, havendo quem defenda os seus benefícios e quem insista em ressaltar as suas desvantagens. Quando se trata de uma criança, a complexidade da questão parece ainda maior. Sabe se a criança pode ser vegetariana? Quer saber se este tipo de dieta tem algum risco para a saúde da criança?

Venha descobrir mais sobre a questão com o Bebé a Bordo.

Desde cedo, as questões relacionadas com a alimentação da criança parecem surgir.

As mamãs preocupam-se em garantir a saúde dos seus filhos, questionando quais os alimentos que o bebé não deve comer, quais os nutrientes a integrar na sua alimentação diária e também quais os vegetais e frutas verdes que deve dar ao seu bebé.

Nas famílias vegetarianas, no entanto, as questões são em maior número e as preocupações são redobradas, já que se trata de um regime alimentar que exclui, da rotina diária, inúmeros alimentos que muitos consideram imprescindíveis.

A exclusão total ou parcial de alimentos de origem animal é vista como mais do que uma escolha alimentar, sendo considerada, por muitos, um estilo e uma filosofia de vida.

Assim, é natural que as famílias que seguem este tipo de alimentação tenham o desejo de manter fora das suas cozinhas os produtos de origem animal.

Quando existe uma criança, no entanto, as questões são muitas (e essenciais). Será que a criança pode ser vegetariana sem que tal comprometa a sua nutrição?

Por entre os críticos desta ideia e os seus defensores, propusemo-nos a explorar o mundo do vegetarianismo infantil, com um olhar livre de preconceitos e ideias pré-concebidas.


Venha com o Bebé a Bordo conhecer tudo o que se diz sobre esta questão, para poder tomar a sua própria decisão sobre se a criança pode ser vegetariana ou se esta não é a melhor opção alimentar para o seu filho.

1. Vegetarianismo infantil: benefícios, riscos e medos

As vozes que falam sobre a alimentação vegetariana em crianças são tudo… menos unânimes.

Mães, pais, profissionais de saúde e cientistas clínicos apresentam argumentos favoráveis e argumentos negativos no que diz respeito a esta temática, e, por isso mesmo, são cada vez mais os estudos realizados para perceber os efeitos efetivos que uma alimentação livre de produtos de origem animal pode ter para uma criança.

Benefícios têm sido exaltados, destacando-se que a alimentação vegetariana pode ser simultaneamente saudável, rica, nutritivamente adequada e apontando para as formas como esta pode levar à prevenção de algumas doenças e ao tratamento de outras, como é o caso da diabetes, da hipertensão arterial, das doenças cardiovasculares e mesmo de alguns tipos de cancro.

Dos benefícios, no entanto, depressa se dá o salto argumentativo para os riscos, que destacam que o vegetarianismo pode ser uma opção alimentar demasiado restritiva, que pode levar a problemas como a deficiência de cálcio (principalmente na dieta vegan, já que exclui também o leite e seus derivados), à anemia (pela falta de ferro, altamente presente nas carnes vermelhas), à deficiência proteica (estando as proteínas também associadas ao consumo de carne) e à falta das vitaminas D e B12 (sendo que esta última existe apenas em produtos de origem animal).

Considerando estes riscos, existem os que defendem a dieta vegetariana em crianças, recomendando que, a par com os alimentos, se faça uma suplementação; e os que consideram que é melhor obter os nutrientes a partir dos produtos alimentares do que através de medicamentos, que veem como desnecessários.

Esta discussão, que tem longos anos de existência e não tem fim à vista, é uma razão muito válida para que os papás e mamãs vegetarianos questionem se os seus filhos podem ou devem seguir também este tipo de dieta.

Criança pode ser vegetariana

2. A criança pode ser vegetariana?

A resposta a esta questão, como já vimos, depende muito das vozes.

Enquanto a Sociedade Europeia de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica defende que as restrições alimentares da dieta vegan não se adequam a uma criança, recomendando que esta, pelo menos, consuma diariamente meio litro de leite (materno, fórmula ou outros laticínios em sua substituição) e semanalmente uma porção de carne ou peixe;


A Associação Americana de Pediatria parece considerar que a criança pode ser vegetariana, defendendo que esta dieta conduz a um estilo de vida mais saudável, destacando, ainda assim, a importância da suplementação.

A estas vozes, juntam a da Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria que ressalta os benefícios e riscos enunciados pelos comités de nutrição acima referidos, mas salienta a necessidade de que a criança vegetariana seja alimentada de forma inteligente e com bom sendo., particularmente da AAP e da ESPGHAN”, deixando no entanto o alerta de que “é importante uma intervenção baseada na evidência, mas também baseada no bom senso e na inteligência”.

A Associação Vegetariana Portuguesa concorda ainda com esta noção, ressaltado que uma criança pode ser vegetariana contando que seja feito um planeamento da sua dieta, em que integre todos os nutrientes essenciais mediante a substituição dos alimentos animais por alimentos vegetais que cumpram as suas funções e a suplementação da vitamina B12, já que esta não está presente em produtos de origem vegetal.

Assim, a noção que retiramos é a de que a criança pode ser vegetariana, contando que os pais garantam que a sua nutrição está completa.

Por outro lado, é necessário salientar que uma alimentação que não tenha em atenção a necessidade de minerais e vitaminas do corpo da criança pode originar – independentemente de se tratar de uma dieta omnívora, vegetariana ou vegan – em desequilíbrios nutritivos muito nocivos para os mais jovens.

Desta forma, uma criança vegetariana deverá fazer exames regulares e receber um acompanhamento frequente para garantir que não existe nenhum défice nutritivo e que os índices de nutrientes no seu sangue estão equilibrados.

Neste caso valerá ainda a pena, caso a criança frequente a cantina escolar, perceber quais são as opções alimentares oferecidas e se também estas cumprem os requisitos nutricionais necessários.

3. Dicas alimentares para a criança vegetariana

Uma criança vegetariana precisará de consumir alimentos diversos para conseguir obter os mais diversos nutrientes.

Para começar, é muito importante que o leite materno (ou alternativamente a fórmula infantil) faça parte da alimentação da criança até esta completar 12 meses.

Aqui, a criança receberá uma dose de vitamina B12, sendo que, posteriormente, esta pode ser mantida com suplementação e também, eventualmente, através de alimentos vegetais enriquecidos (como os cereais de pequeno-almoço).

Na alimentação caseira, procure integrar o óleo de soja e de linhaça como alternativa ao óleo de girassol; manteigas provenientes de sementes e nozes; feijão e ervilhas; alimentos de cor verde e também o tofu.

Uma alimentação variada e em que garanta que a criança recebe todos os nutrientes é fundamental para a sua saúde imediata e futura.

Qual é a sua opinião sobre esta matéria? Aos seus olhos, a criança pode ser vegetariana? Se é vegetariana e alimenta o seu filho segundo esta filosofia, conte às restantes mamãs quais os alimentos que considera essenciais para manter a criança vegetariana saudável.
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Algumas fontes: betterhealth  ncbi.nlm.nih  revistacrescer  kidshealth  observador  paisefilhos  independent

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