Alimentação na creche: será que o seu filho come bem?

A alimentação na creche é uma das temáticas que mais preocupa os pais. Numa era onde o papel da nutrição saudável é enfatizado, números perturbadores revelam que as crianças nem sempre se alimentam da melhor forma. Sabe quais os aspetos a atentar no que diz respeito à alimentação na creche?

Então, explore esta temática com o Bebé a Bordo

A nutrição é fundamental para o bem-estar dos nossos filhos. Desde o período de amamentação e ao longo do crescimento do bebé, tentamos sempre ter o cuidado de garantir que a criança está a receber todos os nutrientes de que necessita e que se alimenta de uma forma saudável. 

Alguns momentos relacionados com a alimentação marcam etapas fundamentais do nosso quotidiano, como os primeiros alimentos sólidos do bebé ou as papinhas de fruta da fase de diversificação alimentar. 

Preocupados com a saúde e o bem-estar da criança, é natural que queiramos afastar os nossos filhos das opções mais processadas e menos sadios, garantindo que são integrados, nas refeições, os alimentos mais frescos e saudáveis. 

Quando se dá a transição do meio familiar para o infantário, no entanto, uma das alterações que a criança terá é a nível alimentar e, por isso mesmo, é muito importante que se esteja atento aos menus apresentados e aos elementos nutricionais que efetivamente chegam ao prato destas crianças. 

Em muitas situações, pais demonstraram desagrado perante algumas das opções destas instituições. Sabendo a importância da alimentação saudável para os mais novos fomos, por isso, saber mais sobre a alimentação na creche. 

Alimentação na creche

A alimentação infantil em números

Ainda que a alimentação saudável esteja na ordem do dia, ela nem sempre está na rotina das crianças ao redor do globo. 

Prova disto mesmo foi o estudo realizado pela Direção Geral de Saúde (DGS), em Portugal, que constatou que as crianças de idade pré-escolar consumiam, de forma excessiva, sal e doces. Este estudo revela que, pelos 4 anos de idade, 65% das crianças tem um consumo diário de doces e que 73% realiza semanalmente o consumo de salgados (como, por exemplo, pizas e batatas fritas). O estudo refere ainda que é natural, em cerca de 50% destas crianças, o consumo diário de sumos processados e de refrigerantes. (1

Estes números, embora alarmantes e focados especificamente na população portuguesa, fazem-se acompanhar de uma estatística que revela que, aquando da realização do mesmo (em 2014), 1 em cada 10 jovens sofreria, já, de obesidade. 

Não é apenas um problema nacional. Mundialmente, somam-se os casos de obesidade gerados por uma má alimentação na infância. E, se é certo que a obesidade não tem de ser um peso para toda a vida, é igualmente verdade que a adaptação alimentar das crianças deve estar sob escrutínio e que os infantários têm, também, um papel a cumprir para garantir a alimentação saudável dos mais novos. 

Alimentação na creche: a problemática 

Muitas polémicas se geram em torno da alimentação na creche. Pais descontentes com os menus menos saudáveis têm dado a cara na defesa de melhores padrões de nutrição e especialistas de saúde têm aproveitado para expor as suas ideias sobre esta temática. 

Exemplo disto mesmo foram as reportagens que, em Portugal, vieram revelar que algumas creches integravam, de forma regular, alimentos como panadinhos processados, hambúrgueres, rissóis e salsichas no menu semanal; descurando os legumes e a fruta. Nestas reportagens, os pais não se revelam todos descontentes na mesma medida, sendo que alguns desejam banir por completo alguns dos alimentos; enquanto outros consideram apenas que deve existir uma maior variedade e moderação na rotina alimentar dos filhos. (2

O levantar do véu sobre esta questão, no entanto, tem, ao longo dos anos, resultado também em estudos pertinentes sobre a qualidade alimentar nos infantários. No Brasil, em 2015, o estudo publicado com o nome “Avaliação do consumo alimentar de crianças brasileiras assistidas em creches: uma revisão sistemática” na Revista Brasileira de Saúde Materna dedicou-se à análise do problema, verificando os menus de várias creches do país. Este estudo revelou que, no contexto pré-escolar, haveria uma parca ingestão de alimentos essenciais como verduras e frutas, em detrimento de alimentos com elevado teor proteico e sódico. (3)

Os riscos de uma alimentação pouco saudável

Os alimentos menos saudáveis que compõem o cardápio das crianças no infantário não são apenas prejudiciais no momento da alimentação na creche. Estes têm efeitos a longo prazo, que podem afetar de forma muito negativa a saúde futura da criança. 

Segundo a DGS, em Portugal, os casos de obesidade são responsáveis por 15% dos casos de morte prematura. (4

Além da obesidade, que é um dos mais graves e severos problemas do nosso tempo, gerado pela má alimentação; a alimentação na creche pode ainda afetar a criança futuramente a outros níveis. Alguns riscos da má alimentação no futuro da criança são: (5

– Menos energia no quotidiano; 
– Dificuldade de foco e concentração; 
– Doenças crónicas; 
– Problemas de auto-estima; 
– Ansiedade; 
– Depressão. 

A alimentação saudável na creche

Muitas creches têm vindo a adaptar-se aos tempos e à exigência dos pais, subindo os padrões alimentares e, atualmente, muitas até disponibilizam os seus cardápios através do email dos pais, permitindo que estes tenham acesso a toda a informação. 

Além disto as aplicações móveis para creches permitem também um melhor conhecimento sobre o quotidiano alimentar dos filhos no infantário. 

A DGS disponibiliza ainda um manual para alimentação saudável nos infantários, onde enfatiza a importância de uma alimentação saudável e de uma educação alimentar. Para esta entidade, a variedade e a qualidade das refeições é fundamental, devendo dar-se resposta às necessidades energéticas das crianças e mantendo-se um padrão alimentar adequado e equilibrado às faixas etárias e necessidades específicas de cada criança, tanto em termos de quantidade como de qualidade e proporção de nutrientes. 

O papel dos infantários na correta nutrição das crianças, em geral, e particularmente das crianças provenientes de meios mais desfavorecidos é fulcral e o papel destas e dos pais na garantia da correta nutrição das crianças é fundamental para garantir a saúde momentânea e futura dos mais pequenos. (6

Conhece o menu do infantário do seu filho? Concorda com a forma como é gerida a alimentação na creche? Conte a sua experiência pessoal aos restantes papás do Bebé a Bordo

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