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Parentalidade na Suíça: a experiência de um casal português

Parentalidade na Suíça

A parentalidade na Suíça, sob o olhar de mamãs e papás emigrantes, tem sido uma temática regular no Bebé a Bordo. Hoje, fomos conhecer a experiência de um casal português emigrado em Genebra. Venha saber como é, para estes pais, viver com filhos na Suíça.

Nota: Para proteção da identidade dos envolvidos nesta reportagem, todos os nomes utilizados ao longo da mesma são fictícios.

A parentalidade na Suíça e a situação legal dos pais

Laura e Miguel ainda se lembram da ida para a Suíça. Esta não aconteceu em simultâneo. Laura já vivia neste país há seis anos, embora, legalmente, só contasse três. Miguel juntou-se, mais tarde, e vive, ainda hoje, numa situação de desemprego que não lhe permite a legalização enquanto residente.

A experiência deste casal será semelhante à de muitos outros e distinta de tantos mais. Num cenário que não é totalmente legítimo e que está, como eles próprios referem “longe de ser ideal”, a verdade é que deram por si a receber nos braços “um tesouro chamado Beatriz”.

Experimentaram, na pele, a parentalidade na Suíça, com todas as dificuldades inerentes à não legalização do pai, todos os constrangimentos do isolamento e da distância face à família, todos os obstáculos da legislação e burocracia em língua francesa e, por outro lado, todos os benefícios e direitos da mulher grávida na Suíça.

O começo de uma história de parentalidade na Suíça Parentalidade na Suíça

É Laura quem nos conta o começo nesta história: “quando desconfiei que poderia estar grávida comprei um teste de gravidez de farmácia, que deu positivo”.

A gravidez não era planeada mas foi bem recebida. Ser mãe era “um sonho antigo”. O teste de gravidez de farmácia, no entanto, não bastou a Laura que, aconselhada por uma amiga, acabou por se dirigir a “uma clínica privada para um teste definitivo”.

Contam-nos, Laura e Miguel, que a descoberta foi feita, com surpresa e agrado, numa semana em que, por coincidência, o pai visitava a família, em Portugal.

Não era a primeira filha de Miguel, que tinha já uma menina de um casamento anterior e esta notícia, dada à distância, com recurso a uma chamada telefónica, foi recebida com um misto de felicidade e preocupação.

A situação de Miguel na Suíça, sem o “permi” e sem emprego, fez com que ponderasse as dificuldades futuras.

Ainda que temendo a situação atual da sua permanência em solo suíço, no entanto, a gestação nunca foi posta em causa por nenhum dos dois. Na verdade, a partir de então, todas as decisões do casal tiveram como principal objetivo garantir a estabilidade do bebé e o seu bem-estar.

Os meandros da gestação na Suíça

Laura lembra-se bem de como se processou a gestação. O seu trabalho, fisicamente exigente, na área das limpezas, já fazia parte do seu quotidiano desde que chegara ao país de acolhimento.

Conta que precisou de apresentar ao seu empregador “uma declaração médica com a data prevista para o parto” e, mais tarde, no término da gestação “uma baixa médica”.

Ainda assim, o processo decorreu com tranquilidade e aceitação e Laura nunca sentiu qualquer tipo de preconceito ou dificuldade por se tratar de uma trabalhadora estrangeira.

Embora tivesse sido aconselhada pelo médico a pedir a baixa três meses antes do nascimento da menina, no entanto, Laura recusou-se a abandonar o trabalho tão cedo.

Trabalhou até um mês antes da Hora H e afirma que essa foi “uma boa decisão”. Como nos conta, “a escolha foi minha, poderia ter saído antes mas não senti necessidade”.

No total, contando com o mês que antecedeu o parto, Laura contou com seis meses de licença de maternidade, devidamente pagos.

“Como ela já tinha o permi, a baixa de maternidade é equivalente à de qualquer mãe suíça”, explicou-nos Miguel, “Já eu, não tive direito a qualquer subsídio, pela minha situação no país”.

O regresso ao trabalho fez Laura retornar à mesma situação laboral que tinha abandonado seis meses antes. Afirma que não sentiu qualquer tipo de dificuldade de reintegração e que não existiu nenhum tipo de preconceito com o seu novo papel materno.

Ainda assim, Laura não usufruiu de alterações horárias ou de pausas para amamentação porque, como explica, sentiu que “não havia necessidade”.

Uma experiência de parentalidade na Suíça

Perante a sua situação atual – desempregado e ilegal no país – Miguel conta, com um misto de humor e seriedade, que se tornou um “stay at home dad” e Laura corrobora com a ideia, afirmando que, atualmente, “é o pai que toma conta da menina e faz um excelente trabalho”.

Neste momento com 1 ano e 7 meses, Beatriz cresce com o pai e tem o português como principal língua.

Miguel faz por incentivar o contacto da menina com a família, colocando-a, quase diariamente, em chamada de vídeo com a avó. Ainda assim, Laura afirma que, no que diz respeito à parentalidade na Suíça, é “uma grande desvantagem estar longe da família”.

Permanecendo em casa com a filha, Miguel conta que acabou por perder “duas boas oportunidades de trabalho” e que a situação não é “de maneira nenhuma ideal”.

Conta-nos que é desafiante colocar Beatriz ao cuidado de outras pessoas porque “as listas de espera são enormes e é difícil encontrar uma creche”.

Além disto, refere ainda que, neste processo, “tudo é avaliado, desde o salário, ao horário dos pais e à morada”, sendo que “apenas depois se pode fazer a candidatura a uma vaga numa creche”.

De olhos postos no futuro, Miguel confessa que, para ele, o regresso a Portugal é um sonho mas que, permanecendo na Suíça, conta que a filha venha a frequentar o ensino público que descreve como “decente”.

Conselhos destes pais para os/as leitores/as do Bebé a Bordo emigrados na Suíça

Olhando para a sua situação e imaginando uma situação semelhante noutra pessoa, Miguel acredita que seria mais fácil ter sido pai “depois de conseguir o permi e um trabalho”, para que se tornasse possível usufruir dos direitos e benefícios associados à paternidade na Suíça.

Por outro lado, encontrando-se já numa situação legal mais confortável, Laura recomenda, acima de tudo, que as mulheres emigradas na Suíça “se informem bem sobre os seus direitos e, se necessário, peçam ajuda para perceber as questões da burocracia, já que poderão receber benefícios e até ter o seguro de saúde pago pelo governo”.

Beatriz é uma criança feliz. Gosta de ver o canal Panda e da Macha e o Urso. Relaciona os sons dos animais e chora quando o pai faz a barba. Não se apercebe das dificuldades sentidas pelos pais e talvez um dia venha a apenas saber o lado mais suave e bonito desta história de parentalidade na Suíça.

Miguel e Laura sorriem face às dificuldades. O melhor das suas vidas é, como referem “cuidar da princesa”.

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Escrito por Bebé a Bordo

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2 Comments

  1. Bom dia
    Não sei aonde foi buscar os 5 meses de licença maternal, pois na Suíça só dura 14 semanas ou 16 em certos lugares. Eu tive 2 filhos e nunca estive tanto tempo em casa.
    O que era importante de realçar é o custo elevado da educação de uma criança.
    Dizer que o governo paga o seguro de saúde aos seus residentes é falso. As comunas dão uma ajuda para o pagamento du seguro de base em função do salário dos pais.

  2. Bom dia! Nunca fui mt de comentar mas como estou cansada de ler e ouvir tanta coisa a respeito da Suíça que não corresponde á verdade…é um bom país mas está longe de ser aquele paraíso que muita gente descreve…vivo na Suíça há 6 anos, sou licenciada e cá faço parte da realidade dura de quem trabalha para fazer face às despesas do dia a dia e de quem ganha quase o mínimo para sobreviver e que compreende a realidade dura de muita gente.
    Catarina estou de acordo consigo! Este testemunho parece me um pouco confuso e as declarações um pouco estranhas! Eu vivi o mesmo (ou ainda pior) pelo que este casal está a passar e depois de o meu namorado ter um trabalho um pouquinho mais estável lá conseguimos fazer o reagrupamento familiar ao qual me foi atribuido um “permi” de acordo com o contrato de trabalho do meu namorado! A não ser que seja rejeitado o pedido não percebo pk a pessoa em questão não tem pelo menos um “permi L” … Quanto há questão da parentalidade aqui na Suíça é muito difícil e lembro me que há 5 anos atrás o meu marido teve direito a 1 único dia quando ele nasceu ( lei que mudou recentemente mas que continua a ser insufiente)! Quantos a creches/amas perdi a conta de quantas vezes fui trabalhar com a cara encharcada em lágrimas por ser obrigada a deixar o meu filho em “amas” declaradas ou não. A minha experiência sempre foi muito traumatizante porque infelizmente as creches são quase inexistentes e msm tendo em conta os salários os preços são exorbitantes! E não tendo família nenhuma para ajudar ainda mais difícil é! Claro que existem sempre caso de sucesso aos quais fico muito feliz principalmente pela criança! Quanto há escola pública o meu primeiro contacto foi bom, mas está longe de ser o tipo de ensino que desejaria para o meu filho! Sou portuguesa e td o meu percurso escolar foi feito em Portugal e do qual tenho muito orgulho, sendo que os anos passados na universidade foi como bolseira e dos quais sou muito grata! Fazendo parte do grande grupo de portugueses que querem regreçar a PT, aproveito apenas para deixar um conselho a quem quer emigrar, não acreditem em tudo o que vos é dito, sejam conscientes, não olhem só aos números salariais que vos apresentam pois o custo de vida e saúde é exorbitante, infelizmente o que muitos compatriotas nossos dizem não corresponde totalmente á realidade, cada caso é um caso. Aos que querem dar este passo reflitam muito bem e muita coragem para o que ade vir! Em PT ou aqui o importante é serem felizes ?

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