Avós, ama ou infantário, o que devo escolher para o bebé

Avós, ama ou infantário, o que devo escolher para o bebé

A hora de regressar ao trabalho chega depressa e um dos dilemas comuns, entre os pais trabalhadores, é sobre onde devem deixar o seu bebé. Os avós, ama ou infantário surgem como hipóteses válidas. Sabe qual é a melhor?

Venha descobrir com o Bebé a Bordo.

A maternidade é sempre vivida de formas distintas. Enquanto algumas mulheres optam por se dedicar exclusivamente à criança, ficando em casa indefinidamente após o parto; muitas outras mantêm a sua rotina profissional, que retomam no final da licença de maternidade.

Torna-se, então, fundamental saber quem cuidará da criança.

O acompanhamento e cuidado com o bebé é, como sabemos, extremamente importante para o seu desenvolvimento.

É na interação com os adultos significativos e os pares que as crianças acabam por desenvolver as suas capacidades e ter grande parte do seu desenvolvimento cognitivo.

Claro que, no momento de decidir se devem deixar a criança com os avós, ama ou infantário, as mães e pais sentem muitas dúvidas.

Existem, como sabe, pontos positivos e negativos em cada uma destas hipóteses, o que torna a temática muito pouco consensual.

Sabendo como esta pergunta inquieta os pais dos bebés, decidimos debruçar-nos sobre esta temática para tentar compreender qual a melhor escolha: avós, ama ou infantário.

Se quer saber a resposta, venha com o Bebé a Bordo saber o que dizem os especialistas sobre esta questão.

1. O regresso ao trabalho e o cuidado do bebé

Fazer a escolha relativa ao cuidado do bebé quando os pais têm de retomar as suas rotinas profissionais é, provavelmente, uma das escolhas mais difíceis, assustadoras e importantes que os pais terão de tomar no começo da vida da criança.

A escolha entre os avós, ama ou infantário não se prende apenas com o melhor local para deixar a criança.

Esta tem um impacto fulcral na criança, já que se trata de escolher quem será parte da socialização primária do bebé e, como tal, parte integrante dos mecanismos que promovem o seu desenvolvimento cognitivo.

Avós, ama ou infantário deverão cumprir alguns requisitos.

Estes terão de garantir o cuidado da criança, de oferecer condições proliferas para o seu crescimento saudável, de garantir que a criança é estimulada, de cumprir as necessidades emocionais do bebé e de gerir, de forma eficaz e benéfica, o tempo e a rotina do seu filho.

À partida, pode parecer que, com os devidos cuidados na escolha, todas as opções podem ser válidas – até porque realmente o são! – ainda assim, a discussão entre deixar a criança com avós, ama ou infantário ultrapassa o limiar dos gostos pessoais de cada um e chega à comunidade científica que, através de estudos diversos, se propôs a dar uma resposta a esta questão.

2. O que dizem os estudos?

Na eterna questão sobre onde devem ser deixadas as crianças: com os avós, ama ou infantário, a polémica é antiga e as vozes são diversas e pouco consensuais.

Ainda assim, ao longo dos tempos, estudos têm vindo a revelar resultados que salientam a importância da creche na vida das crianças.

Em Portugal, um estudo publicado pelos especialistas de saúde Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes na Acta Pediátrica Portuguesa é exemplo disto mesmo.

O seu estudo revela que o desenvolvimento cognitivo, bem como o desenvolvimento da criança ao nível da linguagem, parece ser mais estimulado nas creches, sendo que, segundo a observação realizada, foram as crianças que frequentavam o infantário que obtiveram melhores resultados.

Segundo os investigadores, embora mais análise seja necessária antes de alargar as conclusões, o melhor desenvolvimento cognitivo revelado por estas crianças até aos três anos pode indiciar um melhor rendimento escolar futuro e, como tal, eventualmente, um maior sucesso.

Um outro estudo, realizado pelo NICHD (National Institute of Child Health and Human Development), nos Estados Unidos da América, teve também em atenção o cuidado das crianças pelos avós, ama ou infantário.

Ao analisar 856 crianças entre o nascimento e o seu terceiro aniversário, este estudo concluiu que os melhores resultados no desenvolvimento cognitivo das crianças eram obtidos quando estas estavam perante cuidado especializado, nas creches.

Por outro lado, os resultados menos positivos provinham de crianças que eram deixadas ao cuidado de amas.

Por fim, vale a pena salientar os resultados de um estudo britânico realizado pelo Institute of Education.

Segundo este estudo, que considerou mais de 4 mil crianças, os bebés educados pelos avós eram menos sociáveis do que crianças cujo desenvolvimento tinha sido feito numa creche ou mesmo com uma ama.

Ainda assim, também este estudo considerou que, no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo da criança, a creche era a melhor opção.

3. Mas, afinal, avós, ama ou infantário?

Os avós são a opção de sempre, seja pela acessibilidade, pela confiança ou pelo facto de serem a opção menos dispendiosa.

Cuidadores natos, estes são conhecidos pela forma como “estragam a criança com mimos”, cedendo a todas as suas vontades.

Apesar de a fama ser esta, no entanto, a verdade é que muitos avós são perfeitamente capazes de estimular a criança e de a ajudar a desenvolver-se da melhor forma possível.

Ao deixar o bebé com os avós, é fundamental que sejam partilhadas informações sobre a rotina da criança e as suas regras, para garantir que tudo corre conforme desejado.

Igualmente importante, será que existam momentos em que a criança tenha contacto com outras crianças, para evitar situações como as descritas nos estudos mencionados, e nas quais as crianças se tornaram menos sociáveis.

Escolher uma ama vai exigir um trabalho de pesquisa intenso, no sentido de garantir que deixa a criança com uma pessoa profissional, de confiança e que saiba como estimular a criança.

Se é verdade que algumas amas têm experiência e competências, é igualmente verdade que outras não a terão e, como tal, a escolha tem, realmente, de ser feita com cuidado e mediante um escrutínio intenso.

Considerar a formação e a experiência de uma ama é muito importante antes de entregar o seu filho aos seus cuidados.

Da mesma forma, poderá ser útil que peça referências ou fale com outras pessoas que usufruíram dos seus serviços, para saber mais sobre as suas formas de trabalho e se esta é, de facto, uma pessoa de confiança.

A creche parece ser, segundo os estudos enunciados, a melhor opção para deixar o bebé.

Junto de funcionários especializados no desenvolvimento da criança, e provável que a creche estimule mais o seu filho, fazendo com que o seu desenvolvimento ao nível cognitivo e da linguagem seja mais efetivo.

Além disto, o convívio com os pares poderá ajudar a tornar a criança mais sociável, ajudando-a a construir noções tão importantes como a partilha, o respeito e a camaradagem.

Esta opção, no entanto, não está também isenta de problemáticas. Um dos pontos negativos da creche seria a exposição e risco de contração de algumas das doenças mais comuns nos infantários.

Além disto, é ainda importante que os pais tenham muito cuidado na escolha do infantário, garantindo que este tem as infraestruturas necessárias e também um corpo docente especializado e competente, no sentido de oferecer um serviço de qualidade.

Entre avós, ama ou infantário, qual foi a sua escolha para o bebé? Por que razão tomou esta decisão? Conte-nos a sua experiência pessoa.

Algumas fontes: publico  theguardian  lifestyle.sapo psychologymum  centerforparentingeducation  theglobeandmail

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