Amamentação cruzada: quais os riscos?

A amamentação cruzada é um tema controverso e que levanta questões diversas entre os especialistas de saúde e as próprias mamãs. Sabe o que é a amamentação cruzada? E conhece os riscos que esta acarreta?

Então, está na hora de ficar a saber mais sobre a amamentação cruzada com o Bebé a Bordo.

A maioria das mamãs passa por diversos momentos de dúvida quando a temática é a amamentação.

Não faltam mulheres a questionar, por exemplo, quais as melhores posições para amamentar; quais os benefícios de uma amamentação prolongada; como podem preparar o peito para amamentar; ou quais os segredos para uma amamentação sem dor.

Ainda assim, além destas mamãs, existem outras que, infelizmente, se vêem confrontadas com uma realidade diferente e que têm, por isso mesmo, também diferentes questões.

Quando o corpo destas mulheres não possui leite materno ou não o produz em quantidade suficiente para dar resposta às necessidades do seu bebé, elas dão por si a questionar as alternativas.

É neste momento que surge um novo conceito: o de amamentação cruzada.

Julgámos pertinente olhar para esta questão e fomos à descoberta dos meandros deste tipo de amamentação para lhe explicarmos o que é a amamentação cruzada; quais as suas caraterísticas e quais os seus potenciais riscos.

Se também quer saber mais sobre a amamentação cruzada e os problemas que com esta se conectam, este artigo foi feito a pensar em si.

1. O que é a amamentação cruzada

A amamentação cruzada é o processo pelo qual um bebé é entregue pela sua mãe – que geralmente não produz leite materno ou o produz em quantidades insuficientes – a outra mulher, para que esta o amamente.

Embora a prática não seja recente, sendo que historicamente existiam, até, as amas de leite; a verdade é que, com a evolução científica, se ficou a saber mais sobre as questões que rodeiam a amamentação cruzada e foram descobertos alguns riscos.

Considerando a fragilidade do bebé, que não possui os anticorpos específicos dos quais necessitaria para se manter saudável, a amamentação cruzada coloca o bebé sob o risco de contrair doenças que acompanhem o leite da mulher que amamenta o bebé.

Quem costuma recorrer à amamentação cruzada?

Por norma, este tipo de solução é procurada por mulheres que não podem amamentar.

Além das mulheres que, naturalmente, não produzem leite ou não produzem leite suficiente para o seu bebé, existem mais alguns casos nos quais as mulheres não podem amamentar. São eles:

– mulheres portadoras de HIV;
– mulheres toxicodependentes;
– mulheres que estejam na primeira semana do tratamento da tuberculose;
– mulheres que estejam a realizar tratamentos oncológicos.

Nestas situações, algumas mulheres procuram a amamentação cruzada como alternativa, para que o bebé não seja privado de leite materno. Esta prática, no entanto, acarreta alguns perigos.

Quais são os riscos da amamentação cruzada?

Existem vários riscos associados à amamentação cruzada, sendo que o maior perigo desta prática se relacionada com a possibilidade de o bebé ser contaminado por doenças infecciosas ou contagiosas.

Ainda com a imunidade pouco desenvolvida e sem os anticorpos necessários para combater as doenças em questão, o bebé poderá recebê-la, através do leite materno caso se dê algum sangramento no mamilo devido aos traumas mamilares comuns na amamentação.

Embora a maior preocupação com a amamentação cruzada tenha surgido nos anos 80, quando o surto de HIV foi mais intenso, esta não é a única doença que pode passar para o bebé através do leite materno.

Doenças como a hepatite B, a hepatite C, o HTLV, a mononucleose, o citomegolovírus, o sarampo, a herpes (zoster e simples) e a rubéola podem também chegar ao bebé por esta via.

Vale ainda a pena recordar que estas doenças podem estar presentes em mulheres com uma aparência saudável, não sendo possível determinar, sem testes, que uma mulher possa, com segurança, amamentar o seu filho.

O que dizem as entidades de saúde oficiais sobre a amamentação cruzada?

A amamentação cruzada foi fortemente desaconselhada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e também pelo Ministério da Saúde.

Estas entidades consideram que os riscos acarretados pela amamentação cruzada são demasiado intensos para que se corra o risco e recomendam que as mães com dificuldade ou impossibilidade de aleitamento recorram a outras estratégias para fornecer leite materno aos seus filhos.

Quais as alternativas à amamentação cruzada?

Antes de mais, quando uma mulher não consegue amamentar, é importante que leve esta questão até ao seu médico ou especialista. Se ficar determinado que a mulher realmente não consegue amamentar, outras alternativas poderão ser procuradas.

Utilizar o banco de leite humano, conseguido via doação, por exemplo, é uma opção para as mulheres que, não podendo amamentar, desejam dar ao seu filho todos os benefícios do leite materno.

Além disto, é sempre possível procurar leite adaptado, existente em várias marcas, que se adequam às necessidades da criança mediante a sua idade.

Qual a diferença entre amamentação cruzada e doação de leite?

Embora possam parecer semelhantes, a amamentação cruzada e a amamentação com leite provindo de doação, são bastante distintas.

A diferença fulcral entre elas prende-se com o facto de que o leite do banco de leite passa por um controlo e higienização cuidados, que garantem que o mesmo não possui qualquer tipo de doença.

O leite doado é tratado, pasteurizado e não poderá, por isso mesmo, não correrá, por este processo, o risco de que o bebé fique doente. Trata-se, por isso, de uma opção muito mais segura do que a amamentação cruzada.

Já tinha ouvido falar de amamentação cruzada? Recorreu a esta alternativa? Conte a sua opinião pessoal às restantes mamãs do Bebé a Bordo.

Algumas fontes: thebump milkgenomics iff.fiocruz maesdepeito revistacrescer.globo

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