Estaremos a criar bebés estufa?

Manter o ambiente em que a criança vive sempre limpo é uma prioridade de todos os pais. Mas será que o excesso de zelo com as limpezas é positivo para a criança ou estaremos, na verdade, a criar bebés estufa?

Venha saber mais sobre esta questão com o Bebé a Bordo.

Germes e bactérias… dois conceitos que preocupam pais em todo o mundo e que criaram, em pleno século XXI, um instinto de proteção parental que se traduz em limpeza constante.

Quando o bebé tem uma febre ou uma pequena picada de mosquito, os pais sentem, desde logo, uma preocupação imensa quanto à melhor forma de o tratar.

Nesta jornada, a busca por uma criança protegida faz com que todas as suas ações sejam orientadas para a prevenção de doenças futuras.

Assim, no cuidado com a criança, o corpo e a casa são imaculadamente cuidados, com detergentes e sabonetes antibacterianos, que estendem e cumprem a promessa da eliminação quase total dos germes.

Estudos recentes, sobre o impacto deste tipo de prática na saúde das crianças, no entanto, têm revelado um aspeto menos positivo deste excesso de limpeza.

A morte de micro-organismos importantes para o funcionamento do corpo, bem como a sub-exposição aos mesmos pode fazer com que o sistema imunitário se desenvolva de forma deficiente e/ou ser nocivos para a criança.

Neste sentido, somos levados a questionar: será que todo o cuidado com as crianças está, na verdade, a fazer com que criemos bebés estufa?

Se também quer saber a resposta, este artigo foi feito a pensar em si.


1. O que é um bebé estufa?

Bebés estufa é um nome frequentemente utilizado para definir as crianças que, devido ao seu sistema imunitário pouco desenvolvido devido à sua sobreproteção, se tornam mais propensas a desenvolver determinado tipo de doenças, nomeadamente do foro autoimune, alérgico ou inflamatório.

Ao longo dos últimos séculos, a descoberta dos micróbios e dos germes veio a alterar as práticas sociais, levando a que, numa luta contra as doenças provocadas por estes, o contacto com os mesmos fosse minorado tanto quanto possível.

Numa tentativa de eliminar bactérias, fungos e vírus do seu corpo, os seres humanos fizeram alterações deliberadas nos seus hábitos de limpeza, higienização e alimentação, tentando reduzir ao máximo o contacto com essas fontes de doença.

Embora se tenha assistido a uma melhoria significativa na saúde pública, que correspondeu, também, a uma diminuição no índice de doença e morte infantil, a verdade é que, recentemente, se começou a questionar a relação entre as novas práticas de higienização e uma fragilidade imunitária nociva para as crianças.

Acredita-se, hoje, que os hábitos de proteção, geridos através de uma higienização antibacteriana de espaços, do corpo e dos alimentos, pode estar a criar um défice imunitário nas crianças, tornando-as mais suscetíveis a contrair doenças autoimunes e alérgicas.

2. Uma infância assética e os seus riscos

A falta de exposição das crianças aos vírus, às bactérias e aos elementos alérgicos (como pólen, poeiras, etc) poderá estar a fomentar uma debilidade no normal desenvolvimento do sistema imunitário dos bebés e crianças.

Esta teoria, que tem vindo a ser estudada ao longo dos últimos anos, é conhecida como Hygiene Hypothesis (Teoria da Higiene) e coloca em questão se a criação de uma infância assética acarreta mais benefícios ou riscos para o desenvolvimento infantil.

Segundo vários especialistas, da mesma forma que os órgãos e capacidades das crianças necessitam de estímulos para o seu correto desenvolvimento, também o sistema imunitário precisa de ser educado para que o seu desenvolvimento se faça de uma forma segura e indicada.

Em termos simplistas, poderíamos dizer que, sem desenvolver os mecanismos de defesa contra germes e bactérias, o organismo fica mais sujeito a estes micro-organismos, podendo reagir a estes de uma forma mais lenta e desenvolvendo infeções mais severas.

Além disso, o sistema imunitário subdesenvolvido poderia ainda começar a atacar o “alvo” errado, tomando o próprio corpo como um “elemento nocivo”, o que levaria ao aparecimento de doenças autoimunes como a artrite reumatóide ou o lúpus.


Recentemente, num artigo publicado pelo jornal Expresso, especialistas afirmariam mesmo que, nos países onde se aplicam níveis mais elevados de higienização e que promovem uma infância assética “o sistema imunitário não aprende a ser tolerante”, o que implica um maior número de situações como alergias, doenças autoimunes, diabetes e doenças hiperinflamatórias.

O que pode mudar-se para melhorar a situação?

A quebra completa com os hábitos de higienização, tal como a prática extrema dos mesmos, pode ser altamente nociva. Desta forma, a busca pelo equilíbrio torna-se fundamental.

Assim, os pais não deverão quebrar totalmente cortar com hábitos como a esterilização mas poderão, por exemplo, melhorar a imunidade dos seus filhos não fervendo tantas vezes biberões e tetinas; não usando apenas água engarrafada mas também água da torneira (nos locais, evidentemente, onde esta é potável); evitar dar antipiréticos a crianças perante pequenas febres; permitir que as crianças se sujem a brincar no exterior; evitar o uso de cremes quando a fralda estava apenas molhada; dar banhos de água morna mesmo sem esperar pelo final da digestão e evitar o uso de produtos – mesmo os antibacterianos – durante o mesmo, preferindo a água como elemento de limpeza.

Na alimentação, a diversificação alimentação não deve ser atrasada e, no que diz respeito a animais de estimação, estes devem ser vistos como elementos positivos na formação do sistema imunitário da criança.

3. Os estudos e a opinião dos pediatras sobre “bebés estufa”

Os estudos realizados têm vindo a mudar a opinião dos pediatras que começam a deixar de recomendar a esterilização excessiva e a desvincular-se das antigas noções.

Estes estudos têm reforçado a noção de que o sistema imunitário necessita de estímulos para o seu desenvolvimento (nomeadamente um contacto equilibrado com micro-organismos), ou não conseguirá adaptar-se.

A Universidade de Northwestern e o seu Laboratório de Pesquisa em Biologia Humana iria ainda mais longe, afirmando que para aprender a regular-se e adaptar-se, o contacto com os germes é fundamental.

Os estudos indicam ainda que crianças que vivem uma infância assética têm maior tendência para desenvolver inflamações que degeneram, na idade adulta, numa maior propensão para problemas cardíacos, diabetes e mesmo Alzheimer.

Qual é a sua opinião sobre esta questão? Estaremos realmente a criar bebés estufa? Não deixe de partilhar os seus pensamentos sobre esta temática com os restantes leitores do Bebé a Bordo.

Algumas fontes: expresso.sapo vox nytimes bbc webmd

ARTIGOS REMOMENDADOS
ARTIGOS REMOMENDADOS

Comente este artigo