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Nem tudo na vida é planeado

Nem tudo na vida é planeado

Era uma vez, num lugar chamado ‘o meu ventre’

Quando o teste deu positivo. Depois de tantos negativos. Ao fim de tantas tentativas. Pulei de alegria. Ri. Chorei. E ergui as mãos aos céus, num agradecimento, antes de abraçar o meu companheiro.

Também os seus olhos eram água, atrás do sorriso. O nosso bebé… era o nosso bebé.

Esta não é a minha história.

Quando o teste deu positivo. Depois de tantos negativos, ao longo da vida, terem arrancado de mim pulos de alegria.

Risos e choros de alívio. Não nesse dia. Nesse dia, o teste deu positivo e fiquei a olhar para a linha cor-de-rosa como se ela zombasse de mim.

E agarrei o telemóvel, movendo os polegares para cima e para baixo, numa dança descompassada, sem tocar o ecrã, com medo de procurar o número do meu companheiro entre a lista de contactos.

Um bebé… era um bebé. Um bebé inesperado. Que vinha, sem que o tivesse programado, começar uma história que podia iniciar-se por:

“Era uma vez, num lugar chamado ‘o meu ventre’. Nesse lugar, não houvera preparação emocional ou económica, nem planeamento estratégico nem certezas de nada”.

Dentro de mim, em frente àquele teste positivo, havia apenas dúvidas, questões, medos… e uma semente a crescer. Um bebé. O nosso bebé.

Nem tudo na vida é planeado. Ou talvez tudo o seja, mas não estejamos ao leme do veleiro das nossas vidas. E, se calhar, ainda bem que não estamos.

O amor entrou nas nossas vidas, incondicional e eterno, nesse positivo que ninguém planeou, senão uma qualquer entidade divina.

Foi o nosso primeiro filho, cuja vinda preparámos a correr, durante 39 semanas. E que nos brinda todos os dias com as maiores alegrias do universo.

Por vezes penso que a verdade é que o plano estava todo feito: não fui eu planear o meu filho, foi ele a planear uma mãe.

E eu renasci, como mãe, à medida que uma gravidez não planeada se transformava num filho desejado e amado.

Hei-de dizer ao meu filho a verdade: que a maternidade foi, para mim, um vale de presente da vida, pelo qual não esperava.

Preencheu todos os meus espaços vazios e fez-me feliz. Fez-me mais do que mulher… fez-me mãe. E ser mãe é outra coisa. Algo que só pode ser entendido por quem o é e que não pode ser explicado por ninguém.

Esta também não é a minha história.

A minha é outra e não é para hoje!

Mas estas são histórias. Reais. Histórias que fazem parte do mundo onde também eu vivo e que podiam ser minhas. Ou suas. Ou de outra pessoa qualquer.

A vida é um espaço infinito de acasos, de imprevistos, de surpresas.

E, à medida que a vida vai seguindo o seu rumo, seja pelas linhas do destino ou pelas linhas da casualidade, ela vai pondo no nosso caminho a concretização de desejos que, se calhar, nem sabíamos que tínhamos.

Nem tudo na vida é planeado. E é assustador, certamente, olhar para uma gravidez não programada e ir em frente, aceitando o destino.

Ao longo da vida, conheci mulheres que tomaram a decisão de terminar essa gestação. E outras que abraçaram a maternidade.

Respeito a decisão das primeiras, mas não são elas que me surpreendem mais. Espantou-me sempre, de alguma forma, o que vi nas outras:

O nascimento de uma mãe, passo a passo. A evolução do amor, da dedicação, da alegria.

A mudança feita, de dentro para fora, como se, a par com o feto, também a maternidade se fosse desenvolvendo membro a membro e órgão a órgão.

A vida tem muitas formas de abençoar as pessoas. E, por vezes, é pelo inesperado. Por vezes, é de uma forma que assusta primeiro e preenche depois. Por vezes, é com dois traços cor-de-rosa no teste de gravidez.

Se esta é a sua história, saberá melhor do que eu, melhor do que ninguém: nem tudo na vida é planeado… as melhores coisas, por vezes, não são!

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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