Criança com tiques, é passageiro ou devo agir?

Criança com tiques

A criança com tiques é mais comum do que a maior parte das pessoas imagina. Ainda assim, as informações sobre esta questão parecem parcas por não se tratar de um assunto que esteja em foco na atualidade. Saiba mais sobre esta questão e saiba como agir perante uma criança com tiques.

Na atualidade, existe uma tendência para privilegiar as temáticas que povoam os meios de comunicação.

Assim, alguns dos temas mais pertinentes e que mais preocupam os pais acabam por ser pouco divulgados e a informação passada é insuficiente para auxiliar os educadores no momento de agir perante problemáticas que quotidianamente integram as suas vidas.

Assim, embora alguns temas relacionados com a infância saltem para a atenção pública, outros, relacionados com o desenvolvimento cognitivo ou as dificuldades quotidianas vividas por pais e crianças, acabam por não ter uma expressão equivalente à sua importância.

Um dos temas que entra neste leque é o da criança com tiques.

Na verdade, embora esta condição afete cerca de 20% das crianças a nível mundial, tendendo a surgir depois dos 5 anos e tendo uma expressão significativa em crianças entre os 6 e os 11 anos (cerca de 6%) e uma taxa de regressão espontânea em 70% dos casos, esta é uma temática que, por norma, gera muitas dúvidas junto de quem precisa de lidar com o problema.

Tratando-se, resumidamente, de um transtorno de movimento, o tique nervoso é bastante usual nas crianças, sendo mais comum em crianças que apresentam uma notória timidez.

Estes tiques são gestos repetitivos que ocorrem várias vezes por dia e que podem ser mais ou menos notórios e ocorrer com menor ou maior regularidade.

Estando diretamente relacionados com ambientes stressantes, com a fadiga ou com a ansiedade, os tiques podem surgir sob várias formas, afetando movimentos ou a fala.


A Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência refere também que estes acontecem pela resposta do corpo aos referidos estímulos, agindo como automatismos nervos que servem para aliviar a tensão.

Sabendo como é difícil, para os pais de uma criança com tiques, lidar com esta questão, debruçamos sobre ela a nossa atenção para descobrirmos o que são, quais as suas causas, como esta situação afeta a vida do seu filho e o que pode fazer para o ajudar a libertar-se dos tiques.

1. A criança com tiques

Os tiques, que se dividem em tiques motores e tiques fónicos ou vocais, podem ser definidos como movimentos repetitivos e breves, realizados sem uma motivação particular e que podem ter uma manifestação embaraçosa para a criança.

A sua amplitude, intensidade, frequência e manifestação não é sempre igual, variando de pessoa para pessoa.

Nas crianças, embora seja frequente a partir dos 5 anos, esta é uma situação que pode gerar situações desagradáveis, podendo motivar más interpretações ou até uma ridicularização (por vezes, já ao nível do bullying).

Entre os tiques motores os mais comuns são tocar, de forma impulsiva e repetitiva, em partes do corpo, outras pessoas ou objetos; mexer no cabelo; coçar o nariz; franzir a testa; piscar os olhos ou fazer caretas.

Já os tiques fónicos manifestam-se com maior frequência pelo aclarar da garganta, os estalidos com a língua ou o fungar.

Os tiques são involuntários e podem ser despoletados por situações de ansiedade ou stress, sendo depois alimentados, frequentemente, pelo aumento destes sentimentos perante a ridicularização dos pares devido ao próprio tique.

2. As causas e o diagnóstico

Embora ainda não estejam determinadas quais as causas específicas do aparecimento dos tiques na criança, o facto é que se acredita que problemas relacionados com o stress, a fadiga e a ansiedade possam estar relacionados com este.

Os estudos realizados ligam o aparecimento dos tiques a alterações nos neurotransmissores responsáveis pela circulação da informação ao nível cerebral.


Existe ainda a ideia de que a hereditariedade pode ter um papel no aparecimento dos tiques, sendo estes mais comuns nos casos em que os pais têm ou tiveram também este tipo de perturbação.

A criança com tiques vê, muitas vezes, o desaparecimento espontâneo do problema.

Ainda assim, no caso de haver a suspeita de uma criança com tiques, o diagnóstico depende da observação por parte dos pais e educadores e de uma avaliação clínica baseada no histórico familiar, na observação e no contacto com a criança.

Estes métodos são utilizados uma vez que os exames cerebrais, como a Ressonância Magnética ou a TAC, não permitem o diagnóstico desta condição.

3. Os efeitos dos tiques no quotidiano

A criança com tiques é uma criança que convive, no seu dia-a-dia com uma situação que nem sempre é fácil.

Embora na maioria dos casos esta situação tenha uma duração curta e desapareça espontaneamente, a verdade é que, em casos mais severos ou se existirem múltiplos tiques, a criança pode viver situações derivadas destas, como a hiperatividade, o aparecimento de comportamentos obsessivos, deficit de atenção, dificuldades ao nível do aprendizado e momentos de compulsão.

Assim, embora na maioria das vezes, os tiques não sejam um problema clínico grave, estes podem afetar profundamente o quotidiano da criança com tiques, facilitando situações desagradáveis com outras crianças (como gozo, ridicularização ou mesmo bullying) e com os adultos, que, perante situações de rebeldia, promovidas pelo tique, tendem a assumir uma atitude mais crítica e severa perante a criança.

Desta forma, é comum que a criança com tiques se sinta embaraçada, o que pode gerar depressão, baixa autoestima e outras condições psicológicas que afetem a sua vida diária.

4. Da observação à ação

Perante uma criança com tiques é, por isso mesmo, muito importante a ação dos pais.

Para promover o desaparecimento do tique, é importante que os pais lidem de forma calma com o problema, não repreendendo a criança pelos seus movimentos incontroláveis e assegurando os seus filhos de que eles são tão importantes como as restantes crianças.

Além disso, é muito importante alertar os educadores e restantes adultos que privam com a criança sobre este problema, para que estes reajam com naturalidade perante a questão.

Por norma, esta forma de lidar com o problema será suficiente para que, aos poucos, o tique comece a desaparecer, não existindo necessidade de um tratamento.

Ainda assim, existem situações de alerta que tornam imprescindível a consulta de um especialista.

Assim sendo, fique atento, mantendo um papel observador e consulte o pediatra caso note que há um agravamento dos tiques (em frequência ou complexidade), que está a afetar o seu filho na sua vida escolar; que se reflete através de comportamentos obsessivos ou que a criança está a ficar deprimida.

No fundo, qualquer expressão de sofrimento por parte da criança com tiques deverá ser o alerta para que se avance para um diagnóstico clínico.

Por norma, quando a duração do tique é superior a um ano e os sintomas se agravam, tomando contornos motores e vocais, uma das possibilidades é que se esteja perante a síndrome de Tourette.

Neste caso, o médico poderá recomendar algum tipo de medicação para acalmar a criança.

Conhece alguma criança com tiques? Como lidou com esta situação? Não deixe de nos falar sobre a sua experiência pessoal. Ela poderá ser muito útil para outros pais com o mesmo problema.

Algumas fontes: todopapas  maelabaristas   neuropediatria  oficinadepsicologia  educare terra

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