Guest post, é psicóloga, é escritora e tem um livro editado “Um Tanto de Coisas”, é Brasileira (Baiana), ama cantar e escrever. Medo do medo por Ana Nunes
Medo do medo
Quem foi que disse que eu não sinto medo? Eu sinto medo todos os dias, a todo tempo, todo segundo.
Não sei ao certo o que me faz seguir, se é amor, se é teimosia, se é a filha parte I ou a parte II – que está quase chegando.
Não sei se são meus pais e essa fé bonita que eles tem, que me faz acreditar que sou fera, bicho, anjo e muito mulher; não sei se é a paz do meu marido, que me tranquiliza as horas e transforma os momentos em sei-lá-o-que, só sei que acalma.
O medo maior é de não dar conta, de ficar fraca, da luta ser mais intensa do que imagino, de perder o foco ou o ritmo; de me perder em meio aos meus próprios absurdos medos.
Fico me perguntando se toda mãe sente esse medo.
É um medo angustiante, não se pode explicar algo quando a angústia se mete. É uma reunião de medos, na verdade, e eu fico bem confusa sempre que tento falar deles.
Agora, só agora, eu entendo (um pouco) aquele papo de padecer no paraíso. Sempre brinco que tenho mini infartos por dia.
Ser mãe é se entregar e se doer. É amar sem se perder. É se encontrar e se enfrentar. É se amendontrar e calar gritos. É rabiscar borboletas na parede pra espantar monstros debaixo da própria cama.
Medo de perder. Medo de doer. Medo de sofrer. Medo de cair. Medo de descer quando é pra subir, ou de subir na hora que é pra descer.
Medo de errar o caminho, errar o tempero, errar o tempo do forno, errar na escolha da roupa e até na posição do travesseiro.
Medo de chorar e alguém ver. Medo de parecer fraca. Medo de não ser forte. Medo de desistir.
Medo do medo vir…

Imagem por FATHO Fotografia




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