Aumentar a natalidade
Imaginamos que já tenha encontrado vários argumentos para tentar garantir que as tarefas domésticas são distribuídas de uma forma igualitária. O que provavelmente não sabia era que a partilha de tarefas ajuda a aumentar a natalidade?
Se quer saber como, siga com o Bebé a Bordo na descoberta de mais um estudo internacional.
A luta pela equidade tem sido um dos principais motores da nossa era e, provavelmente, qualquer mulher (e mesmo homem) consegue justificar com argumentos variados as mais-valias de uma vida mais igualitária para o casal.
Apesar de o senso comum e a cultura do nosso século se voltarem pertinentemente para estas ideias, a verdade é que, continuadamente, a própria ciência tem procurado, nesta nova forma de vida (ainda em desenvolvimento) justificações para acontecimentos diversos.
Recentemente, a proposta de um estudo americano foi justamente a de compreender como a partilha de tarefas pode ser responsável por aumentar a natalidade.
Esta premissa, que associa ao feminismo, enquanto movimento que busca a equidade entre homens e mulheres,revelou resultados interessantes no que diz respeito à forma como a divisão das tarefas pode ajudar a aumentar a natalidade de um país.
Hoje, é sobre este estudo que falaremos, para que fique a conhecer as premissas levantadas e os resultados obtidos.
Siga com o Bebé a Bordo para saber mais sobre esta questão.
1. O estudo
Foi na Universidade de Northwesters, em Chicago e na Universidade de Bona que os investigadores Matthias Doepke e Fabian Kindermann se propuseram estudar a forma como diversos momentos quotidianos e políticas internacionais poderiam afetar a natalidade.
Com o nome “Bargaining over babies: Theory, Evidence, and Policy Implications”, que significa, na tradução “No regateio dos bebés: teorias, provas e implicações políticas”, este estudo propôs-se, entre outras coisas, a provar que a equidade relacional no seio da casa, aplicada em momentos como a partilha das tarefas, pode ajudar a aumentar a natalidade.
Este estudo foi apresentado na Associação Americana de Economia, no ano de 2015.
2. Os resultados
Os resultados obtidos por este estudo indicaram que as políticas externas e os hábitos quotidianos que propiciam a redução do fardo doméstico (usualmente atribuído ao género feminino) através da partilha das tarefas têm uma eficácia três vezes superior à da atribuição de subsídios para a natalidade.
O estudo comprovou a relação entre a má distribuição das tarefas e a redução da natalidade, atribuindo esta causa ao desacordo que muitas vezes existe, entre a mulher e o homem, quanto à ideia de ter um (ou mais) filhos.
Segundo os resultados obtidos, nas sociedades ocidentais, a vontade (ou falta dela) de uma mulher ter filhos é preponderante perante a vontade masculina.
O acesso a meios contracetivos permite que a mulher se torne a decisora final nesta questão, ao contrário do que acontece em países menos desenvolvidos, onde, por falta de acesso ao mesmo tipo de meios, o desejo de paternidade do homem sempre – ou quase sempre – se sobrepõe ao da parceira.
Nos termos ocidentais, portanto, o estudo revela que um casal que concorde quanto à ideia de ter um ou mais filhos tem três vezes mais hipóteses de os ter do que um casal no qual o homem discorde e quatro vezes mais hipóteses do que num casal em que a mulher esteja em desacordo.
De salientar que um dos principais motivos deste desacordo se prende com a desigualdade na distribuição das tarefas e na dificuldade sentida pelas mulheres na gestão da sua vida profissional, doméstica e familiar.
Assim, em países onde a divisão do trabalho é mais desigual, aumenta a probabilidade de que as mulheres não desejem ter um (ou mais) filhos e há uma redução estatística nos números relativos à natalidade.
3. O reforço da ideia
Embora este estudo tenha lançado a noção, algo polémica, de que as noções feministas poderiam aumentar a natalidade; a verdade é que as respostas destes investigadores não estiveram sós, sendo suportadas por diversos estudos e investigações anteriores e posteriores.
Um inquérito da ONU, por exemplo, é indicador de que entre ¼ e ½ dos casais têm discordância quanto à ideia de ter um ou mais filhos, sendo que os países com taxas mais baixas de natalidade são aqueles nos quais a discordância está mais patente.
Além da divisão das tarefas, estudos revelam que situações culturais podem ter, também, um impacto na natalidade.
Exemplo disso é a Alemanha, onde as mães emigrantes sentem, muitas vezes, o preconceito no regresso ao trabalho, o que pode, também, motivar o desacordo no momento de ter filhos.
Sabia a importância da partilha das tarefas para aumentar a natalidade? Qual é a sua opinião quanto a este estudo? Diga-nos o que pensa sobre este assunto.
Algumas fontes: dn faculty.wcas.northwestern scielo




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