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Uma viagem pela gravidez Vintage

Gravidez Vintage, a máquina do tempo

O Vintage virou tendência.

Numa época de imediatos, onde tudo perde a essência e passa de moda a cada segundo, foram muitas as pessoas que se deixaram inebriar pela permanência do passado nos meandros dos seus dias.

Falamos de arte, de arquitetura, de roupa, de maquilhagem… de pormenores prementes, permanentes e recheados de unicidade.

São memórias do ontem, que se carregam no corpo e que decoram a casa.

Cada vez mais, a mulher Vintage aparece e se destaca no centro da multidão uniformizada dos dias presentes.

E surge uma curiosidade desperta sobre outros tempos e outras vivências.

Nascem perguntas sobre a forma como se fazia, antes das facilidades tecnológicas, para se viver os momentos quotidianos.

A gravidez Vintage faz parte desta curiosidade que traz, até ao mundo atual, perguntas sobre aquelas mamãs (antepassados de todos nós) que o foram antes da epidural, antes das ecografias, antes dos testes de gravidez.

Entramos, por isso, nesta máquina do tempo, rumo à gravidez Vintage.

Queremos saber como era! Como se vivia e como se dizia a gestação nos anos 20, 30, 40 e 50… aqueles tempos nos quais o tabu era gritante. Venha também nesta viagem ao passado.

 

A gravidez vintage

1. O antigo (e eterno) desafio feminino

Se está grávida, sabe melhor do que ninguém: é uma surpresa maravilhosa que (e precisamos de ser honestos!) nem sempre é simples.

Aliado à alegria da maternidade, a mamã precisa de lidar com aspetos menos positivos: as mudanças, as dores, os desconfortos, as preocupações e os medos.

A gestação é uma época de constante cuidado e questionamento.

Olhando o passado, podemos apenas imaginar a luta das mulheres que, com metade dos meios, um quarto da informação e uma tonelada de mitos, se aventuravam nesta jornada maternal.

Claro! Eram outros tempos! Tempos nos quais a mulher nascia para ser esposa e mãe… e o fazia com toda a naturalidade.

Nos tempos passados, ter um filho era uma bênção… mas a gravidez em si era um desafio.

Falamos, por exemplo, nos anos 20, de um tabu tão formalmente instaurado que levava as mulheres a ficarem fechadas em casa durante os nove meses de gestação.

Socialmente, a grávida era considerada um ser de aparência pouco saudável e a gravidez era vista como um assunto a não mencionar.

Desta forma, nestes tempos, era comum que, ao primeiro sinal de gravidez, a mulher se mantivesse no domínio da casa e que aparecesse em público apenas quando tinha retomado uma forma mais “apelativa” e já com o bebé nos braços.

Nos anos 30 o tabu mantinha-se, embora se tenha aberto a porta à mulher grávida para caminhar pelas ruas… mas só nos anos 40 e 50 a vida “normal” da mulher passou a ser verdadeiramente permitida durante a gestação.

2. A difícil gravidez Vintage

Ao falar da gravidez nestes tempos, falamos de roupas que não se adaptavam ao corpo em mudança e que não estavam preparadas para o aleitamento (prática que, até aos anos 40, apenas 20% das mulheres concretizava).

Falamos de dores de parto intensamente vividas, sem existência de epidural.

Falamos, nos anos 20 e 30, de partos realizados por anciãs provenientes da aldeia e sem outro conhecimento que não o da experiência.

Falamos de dúvidas que não tinham resposta e de mitos que perduravam, passando no secretismo de conversas entre mãe e filha grávida.

Não era fácil estar grávida nestes tempos, embora eles tenham sido essenciais para a mudança.

Entre os anos 20 e os anos 50 a evolução na gestação foi realmente visível.

Passou-se da residência à maternidade. Da parteira à enfermeira. Passou-se da clausura à praça pública. Passou-se do silêncio à palavra.

Apenas uma coisa nunca mudou: ser mãe era, foi e continua a ser a experiência mais rica da vida de uma mulher.

3. Na memórias da gentes

Maria Almeida não recorda os anos 20. Ainda não tinha nascido. Mas recorda os 30, quando a mãe esteve grávida do seu irmão mais novo.

Na verdade, recorda o irmão mais novo… e afirma que não sabe bem como mas “nunca soube que a mãe estava grávida”.

Parece estranho, posto que falamos de uma gravidez. Mas era comum. Para esconderem a gravidez, as mulheres usavam, muitas vezes, cintas.

E era um assunto que não permeava conversas leves. Era perfeitamente possível que uma criança não se apercebesse da gravidez da mãe, ainda que privasse muito com ela.

A recordação avança, bem distinta, até aos anos 50, quando Maria foi mãe. “Já se falava!”, assevera.

Mas, do que nos diz, percebe-se bem que não se falava como hoje.

Os avisos eram os primeiros a surgir, nestes anos 50 portugueses: “diziam que não podíamos usar jóias nem comer polvo.

A minha mãe e mesmo a médica insistiam muito na ideia de que devíamos comer por dois.”.

Na gravidez, diz ter engordado muito, peso que nunca perdeu… nem mesmo depois do parto, feito por uma enfermeira parteira dentro das paredes do seu lar: “no meu tempo algumas mulheres já iam para a maternidade, embora eu não tenha ido. Antes não!

No tempo da minha mãe e da minha avó eram as mulheres da aldeia que faziam o parto”.

Maria, agora com 87 anos, recorda ainda, com humor, os desejos de gravidez.

“Apeteceu-me melancia. Em Fevereiro! Não há melancia em Fevereiro! Acabei por só concretizar a vontade em Junho.

Comi duas melancias num dia… a primeira antes de sair do mercado.

Mas tínhamos de comer o que apetecia…”. A razão era simples. Um dos muitos mitos da época: não cumprir o desejo faria a criança nascer “de boca aberta”.

Claro! A tendência vintage dos dias de hoje não passa pela busca de uma verdadeira gravidez dos anos 20, 30, 40 e 50.

O que se procura é o imaginário que rodeia a época.

E é isso que se explora hoje, com o revivalismo da moda e da arte deco.

O mercado traz, até nós, o que de melhor existia nestes tempos, inserindo tudo isso no centro de uma sociedade mais aberta e com mais meios para apoiar as mamãs.

Muitas mulheres propõe-se, por isso, a viver, hoje em dia, a sua gravidez Vintage.

Fazem-no pela aquisição de parafernália que remete para as épocas passadas e pelo uso de roupas que as fazem sentir-se “fora de época” mas “dentro da moda” e sempre em estilo.

São mamãs sofisticadas e elegantes.

A nossa máquina do tempo não nega isso mesmo: a elegância do passado.

Serve apenas para relembrar que estamos aqui hoje pela coragem incessante de mulheres que nasceram para ser mães, ainda que a gravidez fosse uma luta.

Identifica-se com o estilo antigo? Viveu ou gostaria de viver uma gravidez Vintage? Não deixe de partilhar a sua opinião e de nos contar histórias que tenha ouvido sobre a gravidez nos tempos idos.

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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