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De um bebé ainda por nascer para a sua mãe solteira

Carta vermelha do bebé para uma mãe solteira

Uma carta de amor

Mamã, ?

Ainda não me conheces. Sei que me sentes. Mas ainda não tivemos a oportunidade de nos olharmos nos olhos. Precisamos de ter paciência. As melhores coisas da vida, às vezes, demoram um pouquinho a chegar.

Estou aqui dentro, no conforto do teu ventre. E sinto o teu amor. Tanto, tanto amor!

Às vezes pergunto-me se o teu coração bate aqui comigo. E, de alguma forma, sinto que sim.

Aqui dentro, escuto atentamente a tua voz e apercebo-me das coisas que carregas contigo. Não é só o teu amor que eu sinto… Não leves a mal! Não quero que esta ideia te perturbe. Eu entendo!

Mas, às vezes, sinto que estás triste. E já entendi porquê. As pessoas dizem que vais ser mãe solteira ou que acabarás por ser mãe sozinha.

Eu sei o que elas querem dizer-te. O meu pai nunca vai ser o meu papá, não é? De alguma forma, criou em ti esse amor e foi embora. Não está ao teu lado. Não te acompanhou nas visitas ao médico.

Não te afagou o rosto para falar do teu brilho. Não te faz festinhas na barriga. Às vezes não responde, sequer, às mensagens que lhe deixas. A única coisa que me dará – se der – é um apelido no finalzinho do nome. Foi ele que te deixou assim, não foi? Triste e com vontade de me dar mais.

Não sei nada sobre o mundo e as pessoas. Ainda estou aqui, seguro no calor que me transporta até ao universo das tuas próprias perceções e sentidos. Mas já há coisas que eu sei. Uma delas, mamã, é que as pessoas que dizem que vais ser mãe sozinha não entendem nada sobre a vida em si ou a maternidade, no geral.

Olha… ainda é cedo para me olhares nos olhos. Vamos precisar de ser pacientes. Estou aqui, aos bocadinhos, a desenvolver-me. Tronco e pernas e pés. Mãos, braços, rosto. Órgão a órgão. Mas vou nascer.

Vou estar nos teus braços. Vou amar-te como me amas! E a minha mão (ainda a formar-se), já quer vir a enlaçar os dedos nos teus. E os meus braços serão para envolver o teu pescoço.

Os meus pés para fazer contigo as mais bonitas caminhadas do amor. E eu sei isto porque hoje em dia, o meu coração ainda é muito pequenino e os seus batimentos são ténues. Mas, mesmo assim, ele já é totalmente teu!

Vais ser mãe solteira. Não faz mal! O meu pai não vai estar aí. Vais ser tu a agarrar-me ao colo pela primeira vez. Vais ser tu a dar-me de mamar. Vais ser tu a dar-me a primeira sopa.

E vais levar-me à escola, no primeiro dia, de coração apertado. Vais ser tu a dizer-me para me defender dos meninos malvados e para ser bonzinho com toda a gente.

Vais sentar-te comigo a fazer os trabalhos de casa. Vais brincar comigo, a fazer puzzles no chão do quarto. Vais mandar-me lavar os dentes, fazer xixi e ler-me uma história de encantar antes de dormir.

No Natal, vais vestir-te de pai natal. Nos desportos, vais fazer sozinha uma claque mais barulhenta do que a soma das vozes da equipa oposta. E até vais aprender as melhores táticas, para me ensinares.

Quando eu crescer, nos primeiros amores, vais falar comigo sobre o sexo oposto, ensinar-me os truques para que ele goste de mim. Vais ser mamã. E papá também, está bem?

Vais ser mãe solteira. Isso não significa que vais ser mãe sozinha. Significa… olha, sei lá!

Significa que vais ser o centro do meu mundo. Só tu! Como se tudo começasse e acabasse em ti. Vais ser mamã. Vais ser papá. Vais ser a minha melhor amiga! E a minha professora. E a minha advogada. E a minha psicóloga.

Vais ser mamã, o meu tudo e o meu todo. Para sempre!

Eu sei que tens medo. Mas não fiques triste. Se o papá foi embora, o erro é dele, não é teu! Ele está a perder o amor. Tu não. Tu estás a ficar comigo. E eu sei que já sabes isto: eu vou ser, provavelmente, o amor mais intenso e único da tua vida.

Por isso, agora, eu quero que aproveites. Vais viver a gravidez sozinha. Isso quer dizer que tens de a viver mais e melhor. Vais ter de te mimar mais. Aproveita para te juntares a aulas de yoga e de hidroginástica.

Faz caminhadas prolongadas pela praia e banhos longos com espuma e música.

Convida as amigas para um lanchinho. Estuda bem o que podes comer e prepara as refeições como tu mais gostas. Faz uma caipirinha sem álcool e degusta-a enquanto fazes a maratona dos teus filmes favoritos.

Principalmente os que fazem rir. Eu já adoro o teu riso, sabias?

Viver a gravidez sozinha não significa que estás sozinha, mamã! Eu estou aqui! E gosto tanto, tanto de ti!

Vamos ser muito felizes juntos, sabias? Vais ser a pessoa que me deu a vida e a pessoa mais importante da minha vida. Vais ser o meu exemplo. E um dia, eu vou querer ser uma mamã ou um papá como tu.

Porque tu és a força que eu admiro. A heroína eterna dos tempos. Aquela que, contra tudo e todos, me defendeu desde o primeiro instante.

Obrigada, mamã, por não seres como o meu pai. Por seres mamã e papá. Como deve ser. Sem a mais pequena nuance de rejeição ou de abandono.

Eu ainda estou aqui. Ainda não nasci. Mas posso fazer uma promessa? Eu não te vou deixar sozinha! Vou estar aqui e vou amar-te de forma eterna e profunda, como o amor deve ser.

Aproveita bem a gravidez. E aceita este amor que cresce depressa, ainda que seja no meu coração, ainda tão pequenino.

Para sempre e com amor,

O teu bebé ?

# Esta carta é dedicada a uma leitora do blog, é brasileira e chama-se Anna Sanches e a todas as mães que se revejam com a mesma.

Fez o seguinte comentário em um post no blog:

-“”-

Bom dia. Muito bom o artigo. Eu gostaria que fizessem um artigo , sobre como curtir a gravidez sozinha, e ser feliz do mesmo jeito. Estou com 23 semanas de gestação e fui rejeitada pelo pai do bebê desde o início. Acredito que aconteça muito com outras mamães também. É um momento único a maternidade quero aproveita-lo da melhor forma possível. Conto com vocês pra nós ajudar. Um abraço
Obrigado!!

-“”-

Em que nós não ficamos indiferentes e decidimos fazer-lhe este pequeno atributo.

Obrigado

A equipa do

bebeabordo.pt

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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