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Como a gravidez muda o cérebro das mulheres

Mudança por dentro e por fora, a gravidez muda o cérebro das mulheres

É natural que o sinta, faz parte: engravidar mudou a sua vida de uma forma inegável e única.

Subitamente, deu por si a reparar em coisas que não reparava e aprendeu a desvalorizar outras.

Mudaram os objetivos, as metas, os sonhos.

O mundo mudou aos seus olhos, a gravidez muda o cérebro das mulheres.

Quem é mãe sabe! A maternidade é muito mais do que acomodar um bebé no ventre.

Cliché ou não, a verdade é que todas as mudanças sofridas na gravidez impactam no quotidiano das futuras mamãs e as ensinam a ver tudo o que as rodeia de uma forma distinta.

Engravidar é aprender a ver o mundo com olhos novos.

E, se até agora se supunha que toda a alteração emocional tinha apenas a ver com a casualidade, a ciência avança agora para dizer ao mundo que é muito mais do que isso.

A própria estrutura do cérebro das mulheres altera-se durante a gestação. É uma mudança real e física, que foi já comprovada cientificamente.

Neste artigo iremos lançar um olhar sobre os estudos realizados sobre a forma como a gravidez muda o cérebro das mulheres, para que saiba tudo o que acontece no seu cérebro durante o tempo da gestação.

A gravidez muda o cérebro das mulheres

1. A relação entre o cérebro e a gestação

As alterações sentidas pela mulher durante a gestação tinham, já, um teor físico inegável.

As mudanças no corpo, que se adapta para alojar o feto juntavam-se às alterações a nível hormonal e biológico.

Embora todas estas mudanças fossem reconhecidas e aceites, só recentemente foram realizados estudos para perceber se haveria implicações mais profundas da gestação, ao nível cerebral.

Entre os estudos mais proeminentes encontra-se o realizado pela Unidade de Investigação de Neurociência Cognitiva, na Universidade Autónoma de Barcelona, em Espanha.

Aqui, utilizando ressonância magnéticas, um grupo de investigadores analisou uma amostra de 45 mulheres, entre as quais se encontravam 25 mamãs de primeira viagem (que viviam a primeira gestação) e 20 mulheres que nunca tinham sido mães.

Além disto analisaram, igualmente, a atividade cerebral de 36 homens (19 dos quais tinham sido pais pela primeira vez e 17 que não tinham filhos).

Neste estudo pioneiro, a equipa obteve resultados que indicam que se dão alterações na própria estrutura cerebral da mulher depois de ser mãe.

2. Mudanças: quais e até quando?

Segundo os resultados obtidos pelos investigadores, durante a gestação a mulher sofre uma grande redução na massa cinzenta, principalmente nas zonas que dizem respeito à cognição social.

Esta redução alia-se à reorganização da estrutura cerebral.

Cientificamente, podemos dizer que há uma redução no volume do córtex, nas regiões posterior e medial frontal, que se coaduna com uma menor capacidade ao nível de atenção e memória e com uma maior capacidade de empatia e perceção.

Isto é, simplificando, podemos dizer que a gravidez “apaga” algumas regiões cerebrais e “acende” outras, permitindo que algumas capacidades sejam melhoradas de forma a adaptarem-se à maternidade e deixando outras, menos úteis, para segundo plano.

As alterações sofridas a nível cerebral pelas mulheres do estudo iniciou-se durante o período gestacional mas não se manteve apenas durante a gestação.

Na verdade, dois anos após terem sido mães, o cérebro destas mulheres continuava a mostrar-se idêntico.

Não se sabe, até ao momento, por isso, se a alteração na massa cinzenta é (ou não) reversível.

3. Uma mudança genderizada?

Debruçando-se sobre as mudanças cerebrais inerentes ao período da gestação, também os futuros papás foram testados.

Os resultados obtidos pelo estudo, no entanto, apontam para que sejam apenas as mulheres a sofrer este tipo de alteração cerebral no momento da maternidade.

Nos estudos realizados, constatou-se que não era visível qualquer mudança cerebral masculina.

Já as mudanças cerebrais femininas foram evidentes, apontando para a explicação de que o próprio circuito neuronal se adapte à gestação, de forma a tornar mais funcionais os mecanismos necessários para lidar com a maternidade.

Embora este estudo seja apenas o primeiro, os resultados apontam, por isso, no sentido do que muitas mulheres vêm a afirmar há bastante tempo:

que sentem uma alteração, nomeadamente na sua capacidade de atenção e memória e uma melhoria na capacidade empática, que referem, mesmo, como sendo uma verdadeira aptidão para compreender aquilo de que o filho necessita.

Quais foram as mudanças principais que sentiu durante a gravidez e depois de ser mãe?

Acredita que estas se devam a uma alteração ao nível do cérebro das mulheres?

Qual é a sua opinião sobre as conclusões deste estudo?

Não deixe de partilhar connosco as suas experiências e opiniões!

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Escrito por Marina Ferraz

Marina Ferraz nasceu em Coimbra (Portugal) no ano 1989. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e Mestre na mesma área, pela Universidade de Coimbra.
Autora pela Sociedade Portuguesa de Autores desde 2008

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