Mudança para a hora de Inverno, será nociva ou benéfica para as crianças?

A mudança para hora de Inverno é um assunto antigo e que gera debate entre especialistas, educadores e mesmo pais. Afinal, será que a alteração de uma hora nos relógios na mudança para a hora de Inverno é nociva ou benéfica para as crianças?

Venha descobrir a resposta com o Bebé a Bordo.

Está a chegar o tempo frio e, com ele, a época dos chás, das mantinhas e das festividades. Ainda assim, não se sabe ainda se tudo será como nos outros anos. Falamos, claro, da mudança para a hora de Inverno.

Se sabe a importância da vitamina D para o bebé e até procura oferecer-lhe alimentos ricos nesta vitamina, é provável que as novas e alarmantes declarações relativas à abolição da mudança de hora a tenham deixado preocupada, devido à menor exposição solar da criança.

A mudança para a hora de Inverno é uma tradição antiga – embora não consistente e linear – que há mais de um século nos acompanha.

Duas vezes por ano, em grande parte dos países do mundo, os relógios adiantam ou atrasam uma hora, no sentido de aproximar a hora efetiva da hora do sol.

São muitos os benefícios apontados nesta mudança, embora o original, que motivou o seu aparecimento, continue a ser o mais aclamado: a poupança energética.

Sendo a saúde um dos aspetos mais importantes da nossa vida – e um dos que, enquanto mãe, certamente mais privilegiará para o seu filho – torna-se importante compreender de que forma a mudança para a hora de Inverno impacta na experiência quotidiana salutar.

Saber se a mudança para a hora de Inverno é nociva ou benéfica para as crianças foi, também, um dos nossos objetivos. Se também quer descobrir mais sobre esta temática, este é o artigo certo para si!

1. Mudança para a hora de Inverno: desde quando e porquê?

Trata-se de um gesto natural e que socialmente se difunde há mais de 100 anos: a mudança para a hora de Inverno, que nos leva a atrasar o relógio por uma hora, usualmente em Outubro.


Antigamente, esta norma era conferida pelos sinos das igrejas e implementou-se com a intenção de poupar velas e energia elétrica.

A mudança da hora, para os Millenials, acontece de forma quase natural, já que esta alteração se faz de forma automática na grande maioria dos dispositivos móveis e fixos.

Mas, ao longo da história, em Portugal, esta mudança teve muitas voltas e reviravoltas, que se consubstanciaram em anos sem alteração horária, em anos com mudança horária precoce e em experiências várias (incluindo a adoção do mesmo horário de Bruxelas) até se chegar ao consenso – que viria apenas, de forma mais estável, em 1996 – de que se faria uma mudança para a hora de Inverno, em Outubro e uma mudança para a hora de Verão em Março.

O atraso nos relógios, em Portugal, durante a mudança para a hora de Inverno, é o que faz com que o país deixe de ter um desfasamento de 1 hora e 37 minutos relativamente à hora solar, passando a ter um desfasamento de apenas 37 minutos.

2018 e a razão do questionamento

Após ter sido realizado um inquérito internacional relativamente à forma como as pessoas se sentiam relativamente à mudança para a hora de Inverno, a Comissão Europeia propôs a abolição da mudança.

Embora o entendimento comum sobre esta questão tenha demonstrado que a grande maioria dos cidadãos tem preferência por não fazer a mudança horária e manter sempre o horário de Verão, os especialistas de saúde – e principalmente os especialistas infantis e de pediatria – parecem ter uma opinião algo distinta, questionando o impacto desta abolição.

2. A alteração no sono das crianças e a mudança para a hora de Inverno

Vale a pena recuar, no entanto, para tentar compreender se a mudança para a hora de Inverno tem um impacto positivo ou negativo na vida dos mais jovens.

Fontes da Sociedade Portuguesa de Pediatria afirmaram anteriormente, em declarações à Agência Lusa, que as mudanças de hora poderiam ter um impacto negativo na vida das crianças, criando episódios de cansaço ou irritabilidade.

A necessidade de habituação progressiva aos novos horários para evitar uma alteração brusca do ritmo eram apontadas como formas de ajudar a criança a adaptar-se a esta, sendo que, ainda assim, se destacava, sobre a mudança para a hora de Inverno, uma maior dificuldade no que dizia respeito às horas das refeições e à hora de deitar.

Falando à Visão, a especialista de neurologia Teresa Paiva afirmaria, no entanto, que a mudança para a hora de Verão teria um impacto mais nocivo do que a mudança para a hora de Inverno; já que, na primeira, a criança dormiria menos uma hora.


A importância da luz solar, no entanto, não ficaria esquecida por esta especialista que reforçaria que, na mudança para a hora de Inverno, o maior problema se prenderia, não com a alteração horária, mas com o progressivo escurecimento, que acaba por fazer com que grande parte das atividades sejam realizadas em cenário noturno.

Esta ideia seria, além do mais, corroborada pela Organização Mundial de Saúde, que considera a falta de exposição solar no Inverno um fator de risco.

O que dizem os estudos?

Estudos realizados sobre esta questão – onde se destacam os do Grupo de Consenso sobre o Impacto da Mudança de Hora, nomeadamente os apresentados no 1º Congresso Português de Cronobiologia e Medicina do Sono – reforçam a ideia de que a adaptação do corpo a estas alterações não é imediata e que pode ser nociva para o ser humano.

Um estudo de Fontenelle Araújo, publicado em 2017, revelaria, também, que a maioria das pessoas sente o impacto da alteração horária.

Os estudos apontam ainda para o facto de as crianças serem mais sensíveis a este tipo de mudança, sentindo o seu impacto de uma forma mais severa.

3. E se deixar de haver mudança para a hora de Inverno?

Considerando as consequências da mudança horária, seria de esperar, então, que a abolição da mudança de hora fosse positiva aos olhos dos especialistas de saúde. Ainda assim, esta temática está longe de ser consensual.

E, declarações à agência LUSA, o presidente da Associação Portuguesa de Sono e diretor do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Joaquim Moita, demonstrou preocupações sobre o facto de as crianças e jovens serem obrigados, perante a não alteração horária, a irem para a escola antes de amanhecer.

Segundo o especialista, a exposição à luz solar é essencial para o cérebro humano para que este possa acordar devidamente e, por isso, a sua ausência pela manhã poderá impactar negativamente no aproveitamento e no desenvolvimento físico e cognitvo das crianças.

Sabia o impacto da mudança para a hora de Inverno nas crianças? Conta e a sua opinião sobre esta matéria às restantes mamãs do Bebé a Bordo.

Algumas fontes: lifestyle 24.sapo visao.sapo bbc dn

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