Estudo italiano deteta microplásticos em placentas humanas

Vários estudos internacionais têm focado a questão dos microplásticos e seus efeitos na vida e na saúde do ser humano. Um estudo italiano detetou agora, pela primeira vez, a presença deste componente em placentas humanas. Saiba mais com o Bebé a Bordo.

O plástico é um elemento que faz parte dos nossos dias e que tem vindo a ser estudado, não apenas pelo seu impacto ambiental mas também pelos efeitos nocivos que o seu uso pode ter para as espécies, incluindo o humano.

Vários estudos têm demonstrado que o uso deste elemento e o seu incorreto descarte tem feito com que o planeta fique contaminado com microplásticos que, além de passarem a ser encontrados em muitos alimentos, aumentando a sua toxicidade, são também inalados e consumidos pelos humanos.

Do primeiro teste de gravidez à hora H, esta é outra das questões que pode preocupar as gestantes, fazendo com que questionem, por exemplo, o consumo de peixe ou de marisco, já que provêm de um dos meios mais contaminados: o oceano. (1)

Ainda que as questões surjam, na gestação e ao longo da vida do humano, a verdade é que o impacto dos microplásticos na saúde humana ainda não está totalmente estudado, e os seus efeitos efetivos são ainda desconhecidos.
Venha conhecer o estudo italiano que relacionou os microplásticos com a placenta humana.

Microplásticos na placenta: conheça o estudo

A revista científica Environment International publicou recentemente um estudo realizado por dois hospitais italianos, onde foram analisadas placentas doadas por mulheres que tinham sido mães. (2)

Para garantir a fiabilidade deste estudo, foram escolhidas dadoras saudáveis, sem histórico de tabagismo ou consumo de álcool e cujo parto tinha sido um parto natural, sem casos de prematuridade. Além disso, todo o procedimento do parto foi feito sem que se utilizasse qualquer componente plástico, sendo que até as luvas utilizadas por parteiras e obstetras tinham o algodão como material.

A intenção do estudo era compreender se a placenta – órgão que, como sabemos, regula e assegura a nutrição e oxigenação fetal – continham microplásticos. A maior preocupação prendia-se, pois, com o efeito que a presença deste componente possa ter no desenvolvimento fetal, uma vez que o plástico contém elementos na sua composição que podem agir como disruptores endrócrinos.

Os resultados do estudo

Neste estudo, os pesquisadores analisaram seis placentas, utilizando o método da espectroscopia Raman – uma tecnologia de elevada resolução – encontrando um total de doze fragmentos de microplásticos, dos quais três se encontravam nas membranas corioamnióticas, cinco estavam do lado fetal e quatro do lado materno.

Estas partículas eram pigmentadas e, na sua maioria (nove das doze) foram identificadas como pigmentos utilizados em cosméticos e produtos de higiene pessoal.

Os efeitos efetivos da presença destes microplásticos na placenta não são ainda conhecidos, embora se acredite que possam existir consequências preocupantes.

Novos estudos deverão ser realizados em torno desta matéria. (3)

Imaginava que os microplásticos pudessem alojar-se na placenta? Conte aos restantes leitores do Bebé a Bordo como se sente quanto a esta questão.

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