Crianças obedientes e respeitadoras: o que podemos aprender com a educação japonesa?

A educação japonesa apresenta-nos crianças mais obedientes e respeitadoras do que as ocidentais. Mas, afinal, como consegue este povo ensinar princípios às crianças de uma forma tão eficaz?

Se também acha que podemos aprender com a educação japonesa, venha saber mais sobre ela com o Bebé a Bordo. 

Todos amamos os nossos filhos. Todos gostamos de crianças. Mas também todos temos de admitir que há momentos em que, pela sua falta de educação ou de respeito (ou simplesmente por se tratarem de crianças mimadas) e desobedientes, se torna difícil gerir os momentos que com elas passamos. 

São muitas as dicas para criar filhos bem adaptados e saudáveis e, evidentemente, muito se tem aprendido com novos estudos que nos dizem qual o papel de brinquedos como o lego para a construção da imaginação, do objeto de apego para a estabilidade da criança ou de ler uma história antes de dormir

Tentamos, sem dúvida, criar crianças felizes, ao mesmo tempo que desejamos que estas aprendam e apreendam as noções essenciais para uma vida em sociedade. 

Ninguém consegue melhor do que os japoneses criar uma dinâmica equilibrada nas suas crianças. No mundo oriental, as crianças apresentam uma postura estóica, controlada, orientada para a partilha, para o grupo e para a coletividade e apresentam, ainda, uma imensa capacidade de trabalho, dedicação e níveis de respeito e educação bem distintos dos da cultura ocidental. 

Os princípios e métodos japoneses já deram provas de que funcionam e, se calhar, podemos aprender com a educação japonesa a criar, também, crianças mais obedientes e respeitadoras. Se quer conhecer melhor os princípios da educação japonesa, este artigo é ideal para si. 

Crianças obedientes e respeitadoras

1. Educação japonesa e a importância da família

As ligações familiares no Japão são pautadas por diversos valores. Tratando-se de elementos prioritários nas vidas dos japoneses, os familiares são vistos como figuras às quais se vinculam, em relacionamentos de respeito e afetividade, mas sem que exista uma codependência ou uma cadeia de favores estruturada. (1

Sempre com o propósito de honrar os familiares e os ancestrais, os japoneses adequam a sua ação para o respeito e a partilha.

Ainda assim, ao contrário do que tantas vezes é feito nas nossas sociedades, dificilmente delegarão tarefas aos seus entes queridos ou deixarão, por exemplo, um tio ou uma avó a cuidar dos seus filhos.

Trata-se, pois, de uma relação com limites estipulados e na qual cada elemento familiar ocupa um lugar próprio. (2

A família japonesa e o respeito entre faixas etárias

A diferença entre gerações, no Japão, ainda honra o papel do ancião, como acontecia em muitas das culturas antigas. 

Os idosos, no seu papel de anciãos, são vistos por esta cultura como figuras sábias e vividas, com experiências e valores distintos e valoráveis.

Assim, o idoso é tratado com consideração, sendo que, desde jovens, as crianças têm para com estes uma relação de afetividade e empatia, que permite o estreitamento de laços e a aprendizagem. 

Este respeito entre faixas etárias, no entanto, não é unilateral. Também os idosos têm um imenso respeito pelas crianças, considerando-as o futuro da família (e da nação) e encarando-os como indivíduos em fase de formação.

Para com os mais pequenos, os idosos tendem a adotar uma postura de mestre, onde não faltam momentos de carinho e de tolerância. A estes, tentam ensinar princípios orientadores, sem impor regras demasiado rígidas ou posturas demasiado inquisitivas. 

2. Educação japonesa e a afetividade

No mundo ocidental são muito comuns os “ralhetes”, as chamadas de atenção e até os gritos. Mas, muito diferente da nossa cultura, a educação japonesa não encara da melhor forma a recriminação ou os berros às crianças.

Na verdade, palavras que descrevem bem a educação japonesa são a afetividade, a sensibilidade e a compreensão. (3

O respeito pela sensibilidade dos outros existe, mesmo no momento de alertar para eventuais erros. Por vezes, isto pode ser feito com um simples gesto de descontentamento ou através de um olhar de reprovação.

Mas, quando verbalizado, usualmente é seguida uma linha também mais afetiva, buscando as justificações para os erros nas próprias emoções.

Não é incomum, por isso, que um pai ou mãe diga algo como “o que fizeste magoou esta pessoa” ou “magoaste-te porque fizeste isto”.

Independentemente da forma de aviso, os erros são explanados para que a criança os compreenda e saiba quais as consequências dos seus atos. 

Uma aprendizagem baseada nas emoções e no risco de ferir sensibilidades (próprias e alheias) ajuda, desde logo, a que a criança ganhe um maior respeito pelas pessoas, pelos espaços e até pelos objetos que a rodeiam. 

Educação japonesa e a criação de momentos

Os japoneses valorizam, mais do que qualquer outra cultura, os vínculos criados com os filhos e, por isso mesmo, garantem a criação de momentos de qualidade com as suas crianças. 

A criação de vínculos estreitos com os filhos é algo muito importante para os japoneses. Estes não acreditam nem aceitam a ideia de criar os filhos com distanciamento e abominam a ideia, por exemplo, de deixarem as crianças com outros familiares para que estes se encarreguem de os criar. 

Uma das realidades da educação japonesa é a de que o estreitamento de laços é essencial. Assim, por norma, a criança não vai para a escola ou para o infantário antes de completar os três anos de idade. 

A criação de laços comunicativos e afetivos entre pais e filhos é essencial para a parentalidade japonesa. Mas não é apenas com os pais que tal acontece. As famílias reúnem-se, conversam, contam memórias e histórias, partilham traços da identidade familiar e reforçam os valores mediante diálogo e atitudes. 

Esta partilha de momentos faz com que as crianças tenham um maior sentido de pertença e valorizem mais a comunicação e a companhia dos seus entes queridos. (4

Do diálogo à perceção do mundo

Os valores de família, de respeito, de comunicação e de afetividade fazem parte do quotidiano das crianças japonesas. 

Tendo estes como base na construção da sua identidade e da sua personalidade, as crianças japonesas tendem a fazer menos birras. 

Além disso, a pacatez do ambiente que as rodeia, a par com os gestos de afeto que recebem ajudam-nas a compreender que a ordem das coisas e o seu papel no mundo, o que torna desnecessárias as demonstrações de poder ou a imposição da sua personalidade e do seu humor. 

Criam-se, assim, traços de crianças mais pacatas e respeitadoras, que buscam o seu lugar na família e no mundo, com mais equilíbrio e serenidade. 

Já conhecia os princípios da educação japonesa. Concorda com estes? Quais são os princípios que tenta aplicar na sua casa? Conte tudo isto aos restantes leitores do Bebé a Bordo. 

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